sábado, 23 de julho de 2016

Brasileiro acusado de planejar atos terroristas durante Jogos se entrega

Agora resta apenas um suspeito foragido na Operação 
Hashtag da PF, que foi identificado como mecânico.


Os 10 presos na quinta-feira pelos agentes federais já foram 
levados para Presídio Federal de Campo Grande
Foto: Agência Brasil.
O DIA

Rio - Um dos 12 brasileiros acusados de planejar atos terroristas para a Olimpíada e que tiveram a prisão decretada se entregou na noite da sexta-feira. Os outros dez suspeitos detidos na quinta-feira já estão isolados na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Identificado como Valdir Pereira da Rocha, ele se entregou, às 18:00hs., em Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso, cidade que faz fronteira com a Bolívia. Com a prisão desta sexta-feira, resta um suspeito foragido na Operação Hashtag da PF, que foi identificado como o mecânico Leonid El Kadre de Melo.

Um dos presos de quinta-feira foi identificado como Alisson Luan de Oliveira, de 19 anos, morador de Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. De acordo com o site G1, um ex-colega de trabalho de Alisson contou que ele dizia que queria ir para a Síria para se juntar ao Estado Islâmico. “Ele mesmo falou isso pra gente, que chegou até a Turquia e deportaram ele de novo pro Brasil (...). Ele falava que o avô dele era de lá”, disse à TV Globo Moisés Mesut, empregado de um supermercado de Saquarema, onde Alisson trabalhou por cinco meses no ano passado.

Um ex-patrão do suspeito, segundo o G1, confirmou que ele costumava dizer que queria se juntar ao EI. “A gente achava que era brincadeira. Aí começou a polícia, o Ministério Público a vir me procurar para saber informações dele também”, contou o comerciante Rômulo Gomes. Na casa em que Alisson morava, em Saquarema, um computador foi apreendido pelos policiais federais na quinta. A 14ª Vara Federal de Curitiba expediu 12 mandados de prisão temporária por 30 dias, prorrogáveis por mais 30. De acordo com o Ministério da Justiça, eles são suspeitos de terem realizado “atos preparatórios” visando ações terroristas. Segundo as investigações, um dos integrantes do grupo teria tentado comprar um fuzil AK-47 do Paraguai.

Pela Lei Antiterrorismo, sancionada em abril, as penas por participar de organização terrorista e por preparar atentados podem chegar juntas a 21 anos. Os detidos estão em celas separadas e só podem ter contato com os advogados. Na quinta, a PF prendeu, entre outros, Levi Ribeiro de Jesus, no Paraná, Vitor Magalhães e Mohamad Mounir Zakaria, em São Paulo, Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo, em Manaus, e Antonio ‘Ahmed’ Andrade, na Paraíba.

COI: ‘Os Jogos estarão seguros’
Um dia após a Polícia Federal prender 10 suspeitos de planejar atentado na Rio-2016, Christophe Dubi, um dos dirigentes do Comitê Olímpico Internacional (COI) mais ativos na preparação para os Jogos, afirmou que “o terrorismo é um fato que temos de lidar”. Ao mesmo tempo, ele elogiou o trabalho das forças de segurança do País e disse que, quando a Olimpíada começar, “vocês podem ter certeza de que os Jogos estarão seguros”.

Desde que o Rio foi escolhido para ser sede dos Jogos, o COI sempre evitou tratar de temas como segurança. O objetivo era evitar passar a impressão de querer interferir nas ações de governo local e em assuntos internos do Brasil. Nesta sexta-feira, Dubi foi incisivo ao declarar que espera uma Olimpíada sem nenhum incidente. “É uma prioridade absoluta para o COI que todos os atletas e torcedores estejam nos Jogos completamente seguros”.

Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo
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