Caminhoneiros mantêm plano de greve para dia 1º, mas sem fechar estradas.


Carla Araújo
Do UOL, em Brasília

Você vai viajar no feriado de Finados e está preocupado se pode ficar retido na estrada por causa de eventual greve de caminhoneiros a partir do dia 1º de novembro? Quais as chances de a greve ocorrer? Os caminhoneiros dizem que esperam uma proposta do governo para evitar a paralisação, mas estão preparados para ela. "A orientação é que, se o governo não sinalizar nada até o dia 31, no dia 1º vamos amanhecer de braços cruzados. A categoria deliberou isso", afirmou à coluna o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão. Ele lamentou o novo aumento anunciado pela Petrobras nesta segunda-feira (25) e disse que a situação da categoria está ficando cada vez mais insustentável. Apesar disso, Chorão afirmou que não haverá nenhuma orientação para que haja bloqueio de rodovias pelo país. "A orientação é sempre a mesma: não fechar rodovias. Arrumar um local adequado para ficar parado ou ficar em casa. A orientação é não fechar rodovias para não prejudicar o direito de ir e vir de ninguém", disse Chorão. Ele foi um dos principais líderes da paralisação de caminhoneiros durante o governo de Michel Temer, em 2018.

Naquele momento, houve fechamento de estradas. A greve de 2018 durou dez dias, fazendo com que combustíveis deixassem de ser entregues em diversos postos. Também houve impacto no abastecimento de alimentos e em outras atividades que esperavam matérias-primas.

Mobilização "firme e forte"
De acordo com Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística), a mobilização para o dia 1º segue "firme e forte""O governo a cada dia dá mais motivo para ficar em descrédito com seus apoiadores. Vai ser um movimento nacional. Estamos chamando para parar o país de norte a sul e de leste a oeste", disse à coluna. Litti reforçou também que a orientação será a de não ocupar rodovias. "Até para evitar de ser multado como foi em 2018", afirmou o dirigente da CNTTL, que representa cerca de 800.000 caminhoneiros, entre autônomos e celetistas.

Política de preços
A principal demanda da categoria é por uma mudança na política de preços da Petrobras. "A política de preços de paridade internacional (PPI) é equivocada e está visando apenas dar lucros aos acionistas da Petrobras, quem comprou ações da empresa", diz Litti, destacando que o anúncio do governo em dar uma ajuda de R$ 400,00 aos caminhoneiros autônomos não melhora a situação. "Traduzindo esses R$ 400,00 para o preço do óleo diesel, não dá mais nem para comprar os 80 litros que dava na semana passada. O governo está tentando atacar o efeito colateral, sem mexer na causa do problema", diz.

Fundo para reduzir a variação de preços
Segundo Chorão, além de lutar pela mudança na política de preços da Petrobras, a categoria quer mais estabilidade dos preços dos combustíveis e, para isso, defende um fundo para amenizar a variação. "Os caminhoneiros não querem e não precisam de esmolas, queremos respeito e dignidade para continuar a trabalhar", disse. Para o presidente da Associação das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados do Petróleo do Rio de Janeiro (Associtanque-RJ), Ailton Gomes, agora só quem pode evitar mesmo a paralisação é o governo. "Não depende mais da gente. Depende do governo federal e estadual", disse à coluna. "O que precisamos é que se baixe o preço dos combustíveis".

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