Um sucesso cercado por desordem e insegurança
Norueguesas, Mari tira foto da amiga Maren na estação do teleférico: programa diferente no Rio | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Bonsucesso atrai turistas e curiosos para o Teleférico do Alemão, mas os moradores convivem com trânsito, população de rua, viciados em crack e comércio irregular
POR Paloma Savedra
Rio - Ponto de partida de um dos mais novos cartões-postais do Rio, Bonsucesso é invadido por turistas ávidos por passear nas gôndolas do Teleférico do Alemão, sobretudo nos fins de semana. No chão, a realidade é outra: insegurança e desordem deixam moradores apreensivos. Mendigos, comércio e transporte irregulares, entre outros problemas, são vistos por todas as esquinas.
“O bairro está tomado por cracudos. A maioria migra da Avenida Suburbana. Eles abordam a gente muitas vezes com facas”, relata o comerciante João Ferreira, 52 anos. O contador André Corrêa, 29, faz coro: “É o grande problema da região, que tem muitas lojas e empresas. Mas isso estraga”, critica. “De três anos para cá aumentou. E as pessoas ficam com medo até de circular pelo comércio”, reclama Mônica Carvalho, 47. Camelôs e lixo obstruindo calçadas, além de vans irregulares e em fila dupla tornaram-se queixas recorrentes. “Há excesso de vans, que fecham a rua toda”, reclama o advogado Jorge Luis, 55. Já as ruas Cardoso de Morais, Nova York e Guilherme Maxwell estão tomadas pelo comércio irregular. “É uma zona. A gente é obrigada a andar no meio da rua, enquanto eles (ambulantes) ficam nas calçadas”, disse a vendedora Dina Gonçalves, 75. Ainda na Cardoso de Morais, buraco na calçada, decorrente de vazamento de esgoto, traz apreensão. “Pedestres correm risco de cair. Se for criança ou idoso, já era”, alertou Mônica Evangelista, 40.
No futebol, glórias e derrotas de um quase centenário
Há 98 anos fazendo parte do bairro, o Bonsucesso Futebol Clube ganhou presente de peso: as cadeiras do Maracanã. Uma das revelações do clube foi Leônidas da Silva, o ‘Diamante Negro. Reza a lenda que a primeira de suas bicicletas foi no estádio da Teixeira de Castro.
Figura do clube é o ‘faz-tudo’ Matheus Garcia, o Russo. O massagista, barman e porteiro viu diversos jogadores — como Felipe Gabriel, hoje no Botafogo, e Fabinho, do Fluminense — iniciarem carreira lá. “Conheço todo mundo aqui. É uma vida”, disse.
Na Rua Cardoso de Morais, mais problemas: carros estacionados em fila dupla na calçada e lixo acumulado | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
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O passado é de glórias, mas o presente é amargo. O clube mal voltou da série B e foi rebaixado de novo no Estadual deste ano.
Mais turistas no teleférico
De férias no Rio, as estudantes norueguesas Mari Wiklem, 22 anos, e Maren Kvarno, 20, fizeram questão de conferir a vista do alto do Alemão, quinta-feira. O acesso no asfalto é pela estação de trem de Bonsucesso.
“Já visitei pontos turísticos da Zona Sul e hoje era dia de andar nesse teleférico. Ficamos curiosas”, disse Mari. Maren se surpreendeu ao ver tantos moradores nas gôndolas: “Não sabia que era usado com frequencia. Parece mais uma atração turística.” “No fim de semana, o que mais vemos são turistas. Às vezes, superam os moradores”, contou um segurança da estação. “Queria fazer um programa diferente com minha namorada e a trouxe aqui”, contou Diogo Ferreira, 26.
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