Judaísmo - Cabala
Do Blog da Faby Andrade
Cabala (também Kabbalah, Qabbala, cabbala, cabbalah, kabala, kabalah, kabbala) é uma
sabedoria que investiga a natureza divina. Kabbalah (קבלה QBLH) é uma palavra de
origem hebraica que significa recepção.
A Cabala
“Hermética”, como é muitas vezes denominada, provavelmente alcançou seu apogeu
na “Ordem Hermética do Alvorecer Dourado” (Hermetic Order of the Golden Dawn),
uma organização que foi sem sombra de dúvida o ápice da Magia
Cerimonial (ou dependendo do referencial, o declínio à decadência). Na
“Alvorecer Dourado”, princípios Cabalísticos como as dez emanações
(Sephirah), foram fundidas com deidades Gregas e Egípcias , o sistema
Enochiano da magia angelical de Jonh Dee, e certos conceitos
(particularmente Hinduístas e Budistas) da estrutura organizacional estilo
esotérico- (Maçónica ou Rosacruz).
A Kabbalah —
corpo de sabedoria espiritual mais antigo— contém as chaves, que permaneceram
ocultas durante um longo tempo, para os segredos do universo, bem como as
chaves para os mistérios do coração e da alma humana. Os ensinamentos
cabalísticos explicam as complexidades do universo material e imaterial, bem
como a natureza física e metafísica de toda a humanidade. A Kabbalah mostra em
detalhes como navegar por este vasto campo, a fim de eliminar toda forma de
caos, dor e sofrimento. Durante
milhares de anos, os grandes sábios cabalistas têm nos ensinado que cada ser
humano nasce com o potencial para ser grande. A Kabbalah pode ser o meio para
ativar este potencial. A Kabbalah
sempre teve a intenção de ser usada, e não somente estudada. Seu propósito é
trazer clareza, compreensão e liberdade para nossas vidas.
Origem
A "Cabala" é uma filosofia esotérica que visa conhecer a Deus (D'us) e o Universo, sendo afirmado que nos chegou como uma revelação para eleger santos de um passado remoto, e reservada apenas a alguns privilegiados. Formas antigas de misticismo judaico consistiam inicialmente de doutrina empírica. Mais tarde, sob a influência da filosofia neoplatônica e neopitagórica, assumiu um caráter especulativo. Na era medieval desenvolveu-se bastante com o surgimento do texto místico, Sefer Yetzirah, ou Sheper Bahir que significa Livro da Luz, do qual há menção antes do século XIII. Porém o mais antigo monumento literário sobre a Cabala é o Livro da Formação (Sepher Yetsirah), considerado anterior ao século VI, onde se defende a ideia de que o mundo é a emanação de Deus.
Transformou-se
em objeto de estudo sistemático do eleito, chamado o "baale
ha-kabbalah" (בעלי הקבלה "possuidores ou mestres da Cabala).
Os estudantes da Cabala tornaram-se mais tarde conhecidos como maskilim (משכילים
"o iniciado"). Do décimo terceiro século em diante ramificou-se em
uma literatura extensiva, ao lado e frequentemente na oposição ao Talmud.
Grande parte
das formas de Cabala ensinam que cada letra, palavra, número, e acento da
Escritura contêm um sentido escondido e ensina os métodos de interpretação para
verificar esses significados ocultos. Alguns
historiadores de religião afirmam que devemos limitar o uso do termo Cabala apenas ao
sistema místico e religioso que apareceu depois do século XII e usam
outros termos para referir-se aos sistemas esotéricos-místicos judeus de antes
do século XII. Outros estudiosos veem esta distinção como sendo arbitrária.
Neste ponto de vista, a Cabala do pós século XII é vista como a fase seguinte
numa linha contínua de desenvolvimento que surgiram dos mesmos elementos e
raízes. Desta forma, estes estudiosos sentem que é apropriado o uso do
termo Cabala para
referir-se ao misticismo judeu desde o primeiro século da Era Comum. O
Judaísmo ortodoxo discorda de ambas as escolas filosóficas, assim como
rejeita a ideia de que a Cabala causou mudanças ou desenvolvimento histórico
significativo.
Desde o
final do século XI, com o crescimento do estudo da cultura dos Judeus, a
Cabala também tem sido estudada como um elevado sistema racional de compreensão
do mundo, mais que um sistema místico. Um pioneiro desta abordagem foi Lazar
Gulkowitsch.
Ensinamentos básicos da Kabbalah
A Kabbalah
ensina que, a fim de podermos reclamar as dádivas para as quais fomos criados
para receber, primeiro temos que merecer essas dádivas. Nós as merecemos quando
nos envolvemos com nosso trabalho espiritual – o processo de transformarmos a
nós próprios na essência. Ao nos ajudar a reconhecer as fontes de negatividade
em nossas próprias mentes e corações, a Kabbalah nos fornece as ferramentas
para a mudança positiva. A Kabbalah
ensina que todo ser humano é uma obra em execução. Qualquer dor, desapontamento
ou caos que exista em nossas vidas não ocorre porque a vida é assim mesmo, mas
apenas porque ainda não terminamos o trabalho que nos trouxe até aqui. Esse
trabalho, muito simplesmente, é o processo de nos libertarmos do domínio do ego
humano e de criar uma afinidade com a essência de compartilhar de Deus. Na vida do
dia-a-dia, esta transformação significa desapegar-se da raiva, da inveja e de
outros comportamentos reativos em favor da paciência, empatia e compaixão. Não
significa abrir mão de todos os desejos e ir viver no topo de uma montanha.
Muito pelo contrário, significa desejar mais da plenitude para a qual a
humanidade foi criada para obter.
Estudo da cabala
Quando perguntaram
ao Rav Kook - Cabalista do século XX e Rabino em Israel – quem poderia estudar
Cabala, sua resposta foi inequívoca: "Qualquer um que queira", porém,
no judaísmo ortodoxo, é permitido o estudo da Cabala apenas aos homens, maiores
de quarenta anos de idade, casado e com uma vida "devota" à Torah.
O Rabino
Avraham Itzchak Hacohen Kook (1865-1935) foi o primeiro rabino chefe ashkenazi
de Israel durante o Mandato Britânico da Palestina, fundador da Yeshivá
religiosa e sionista Merkaz Harav, pensador judeu, halachista, cabalista e um
afamado estudioso da Torá. Ele é conhecido em hebraico como הרב אברהם יצחק הכהן
קוק, e pela sigla HaRaAYaH ou simplesmente como "HaRav" (o rabino).
Ele foi um dos rabinos mais famosos e influentes do século XX. De acordo
com alguns Cabalistas, os dias em que a Cabala era um segredo acabaram. A
sabedoria da Cabala manteve-se oculta no passado porque os Cabalistas temiam
que ela fosse mal aplicada e mal entendida. E realmente o pouco que escapou
gerou muitos mal-entendidos. Porque os Cabalistas dizem que a nossa geração
está pronta para entender o real significado da Cabala, e para acabar com os
mal-entendidos, esta ciência está agora sendo revelada para todos que desejam
aprender. Na verdade não em sua total essencia, pois não seria compreendida
ainda.
Cabala no Cristianismo e na sociedade não Judaica
O termo
"Cabala" veio a ser usado até meados do século XI, e naquele tempo
referia-se à escola de pensamento (Judaica)
relacionada ao misticismo esotérico. Desde esses
tempos, trabalhos Cabalísticos ganharam uma audiência maior fora da comunidade
Judaica. Assim versões Cristãs da Cabala começaram a desenvolver-se; no
início do século XVIII a cabala passou a ter um amplo uso por filósofos
herméticos, neo-pagãos e outros novos grupos religiosos. Hoje esta palavra pode
ser usada para descrever muitas escolas Judaicas, Cristãs ou neo-pagãs de
misticismo esotérico. Leve-se em conta que cada grupo destes tem diferentes
conjuntos de livros que eles mantem como parte de sua tradição e rejeitam as
interpretações de cada um dos outros grupos.
Dualidade Cabalística
Embora
Kabbalah apresentar a Unidade de Deus, uma das críticas mais graves e
persistentes é que pode levar longe monoteísmo, em vez disso promover o
dualismo. Em seus textos há a crença de uma contraparte sobrenatural de Deus. O
sistema dualista afirma que existe um poder bem contra um poder maligno.
Existem dois modelos principais de gnóstico-cosmologia dualista: a primeira,
que remonta a Zoroastrismo, acredita que a criação é ontologicamente dividida
entre as forças do bem e do mal. A segunda, encontrada em grande parte
greco-romana como ideologias Neo-platonismo, acredita que o universo conhecia
uma harmonia primordial, mas que uma perturbação cósmica resultou um segundo, o
mal, a dimensão da realidade. Este segundo modelo influenciou a cosmologia da
Cabala.
De acordo
com a cosmologia cabalista, as dez sefirot correspondem a dez níveis de
criação. Estes níveis da criação não deve ser entendido como dez diferentes "deuses",
mas como dez maneiras diferentes de revelar Deus, um por nível. Não é Deus que
muda, mas a capacidade de perceber Deus que muda. Enquanto
Deus pode parecer a apresentar natureza dupla (masculino/feminino,
compassivo/julgadora, criador/destruidor), todos os seguidores da Cabala têm
consistentemente salientado a unidade absoluta de Deus. Por exemplo, em todas
as discussões de macho e fêmea, a natureza oculta de Deus existe acima de tudo,
sem limite, sendo chamado o infinito ou a "No End" (Ein Sof) Nem um
nem o outro, que transcende qualquer definição. A habilidade de Deus para
tornar-se escondido da percepção é chamada de "Restrição" (Tzimtzum).
O ocultamento torna a criação possível porque Deus pode ser
"revelado" em uma diversidade de formas limitadas, que então forma os
blocos de criação.
Trabalhos
posteriores cabalísticos, incluindo o Zohar, parecem mais fortemente afirmar
dualismo. Eles atribuem todos os males de uma força sobrenatural, conhecido
como o Achra Sitra (o "outro lado") que emana de Deus. A
"esquerda" da emanação divina é um reflexo negativo do lado de
"santidade", com que foi bloqueado em combate. (Encyclopaedia
Judaica, Volume 6, "Dualismo", p. 244). Embora neste aspecto o
mal exista dentro da estrutura divina do Sefirot, a Zohar indica que o Ahra
Sitra não tem poder sobre Ein Sof, e só existe como um aspecto necessário da
criação de Deus para dar ao homem o livre arbítrio, e que o mal é a
consequência dessa escolha. Não é uma força sobrenatural em oposição a Deus,
mas um reflexo da luta interna moral dentro de humanidade entre os ditames da
moralidade e da renúncia de instintos básicos.
Cabala e a Tradição Esotérica Ocidental
A Tradição
Esotérica Ocidental (ou Hermética) é a maior precursora dos movimentos do
Neo-Paganismo e da Nova Era, que existem de diversas formas atualmente,
estando fortemente intrincados com muitos dos aspectos da Cabala. Muito foi
alterado de sua raiz Judaica, devido à prática esotérica comum do sincretismo.
Todavia a essência da tradição está reconhecidamente presente.
A Cabala
“Hermética”, como é muitas vezes denominada, provavelmente alcançou seu apogeu
na “Ordem Hermética do Alvorecer Dourado” (Hermetic Order of the Golden Dawn),
uma organização que foi sem sombra de dúvida o ápice da Magia
Cerimonial (ou dependendo do referencial, o declínio à decadência). Na
“Alvorecer Dourado”, princípios Cabalísticos como as dez emanações
(Sephirah), foram fundidas com deidades Gregas e Egípcias , o sistema
Enochiano da magia angelical de Jonh Dee, e certos conceitos
(particularmente Hinduístas e Budistas) da estrutura organizacional estilo
esotérico- (Maçónica ou Rosacruz).
Muitos
rituais da Alvorecer Dourado foram expostos pelo ocultista Aleinster
Crowley e foram eventualmente compiladas em formato de Livro, por Israel
Regardie, autor de certa notoriedade. Crowley
deixou sua marca no uso da Cabala, em vários de seus escritos; destes, talvez o
mais ilustrativo seja Líber 777. Este livro é basicamente um conjunto de
tabelas relacionadas: às várias partes das cerimônias de magias religiosas
orientais e ocidentais; a trinta e dois números que representam as dez esferas
e vinte e dois caminhos da Árvore da Vida Cabalística.
A atitude do
sincretismo demonstrada pelos Kabalistas Herméticos é plenamente evidente aqui,
bastando verificar as tabelas, para notar que Chesed corresponde a Júpiter,
Isis, a cor azul (na escala Rainha), Poseidon, Brahma e ametista – nada,
certamente, do que os Cabalistas Judeus tinham em mente.
Recife - PE - Brasil
http://fabyandrade.spaceblog.com.br
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