quinta-feira, 15 de junho de 2017

PROTESTE volta a atacar: encontramos cinco azeites fraudados.


Mais uma vez, colocamos os azeites extravirgens no banco dos réus. E, dos 24 testados, uma boa notícia: 16 foram absolvidos. Você pode usá-los na alimentação sem medo de ser passado para trás. Porém, corte de sua lista de compras seis marcas:

• Tradição;
• Figueira da Foz;
• Torre de Quintela;
• Pramesa;
• Lisboa;
• Beirão.




As cinco primeiras têm dois problemas graves. O primeiro é que estão fraudadas, porque foram adicionados óleos de sementes oleaginosas aos produtos. Por isso, esses azeites foram “condenados” à eliminação. O segundo problema é que, na análise sensorial, comprovamos que esses produtos se dizem extravirgens, mas não são! Isso também ocorre com a marca Beirão, que, embora não esteja fraudada, peca na sua classificação errada como extravirgem.


Análises com total credibilidade.
Para chegarmos às “sentenças”, levamos os produtos a laboratórios internacionais acreditados pelo Ministério da Agricultura (Mapa) e pelo Conselho Oleícola Internacional (COI). Nós não divulgamos quais são esses laboratórios para mantermos a independência do teste. Mas saiba que, antes de apresentarmos aqui as nossas análises, todos os fabricantes receberam os resultados e, também, as metodologias utilizadas. O importante é que você entenda por que “condenamos” as seis marcas. Há diversos fatores técnicos que indicam a pureza do azeite de oliva, e o resultado dessa adulteração é confirmado por várias análises de genuinidade – se forem discordantes do que estabelece a legislação, o azeite não é puro. Mas, em geral, a principal fraude é a adição de outros óleos vegetais ou animais ao azeite. Isso porque o legítimo azeite de oliva é originado de uma única fonte de óleo, vindo da azeitona – o qual, diga-se de passagem, é rico nos saudáveis ácidos graxos insaturados, razão pela qual muita gente compra esse produto.

Porém, o que vimos é que cinco marcas não podem ser consideradas azeites porque, na verdade, houve a adição de outros óleos vegetais, o que não é permitido por lei. Saber disso é essencial, porque evita que você pague caro por um produto inferior e que não será tão benéfico à saúde quanto o esperado, por isso eliminamos essas marcas. Para descobrirmos a classificação de um azeite, contamos com a expertise de três grupos de profissionais treinados e qualificados por órgãos reguladores. Eles fizeram a análise sensorial – ferramenta que determina a classificação do produto –, na qual são avaliados aromas e sabores complexos, por meio do olfato, paladar e tato. Nessa avaliação, a marca Beirão foi classificada como virgem, o que nos levou a não recomendar a sua compra. Descobrimos ainda que as marcas eliminadas por fraude são lampantes. De acordo com o Mapa, azeites que têm essa classificação não devem ser destinados à alimentação humana. Em geral, eles são indicados ao uso industrial.

Mais uma vez, você tem todo o direito de saber qual azeite está levando para casa. Se está pagando o preço de um extravirgem, não pode colocar no carrinho de compras um virgem e, muito menos, um lampante. Sua saúde e seu bolso agradecem! E atenção: se você comprou um dos produtos reprovados em nosso teste, ligue para o nosso Serviço de Defesa do Consumidor pelos telefones 0800-282-2204 (de telefone fixo) ou (21) 3906-3900 (de celular) e descubra o que fazer.



Ajudamos o produto a melhorar
A PROTESTE avalia a qualidade dos azeites desde 2002 e, em todos os cincos testes já feitos, sempre denunciamos os problemas e as fraudes. De lá para cá, graças às nossas denúncias, conseguimos obter melhorias nos produtos. Em relação ao rótulo, por exemplo, em 2007 alertamos sobre a ausência de uma informação relevante: a data de fabricação e envase do produto. Isso não era obrigatório, mas consideramos importante para que o consumidor compre o produto mais recente, já que o tempo de armazenamento influencia na conservação e qualidade do azeite. Resultado: em 2012, o Mapa determinou a obrigatoriedade da informação nesse produto e, em nosso teste atual, vimos que todas as marcas respeitaram a norma.

Antes, também não eram obrigatórias as recomendações sobre o armazenamento e a conservação do produto após aberto. Nós reivindicamos e, em 2005, a Anvisa estipulou que os azeites deveriam incluir nos rótulos “Manter em local seco e longe de fonte de calor” e, se a embalagem for transparente, colocar também a informação “ao abrigo da luz”. Mais uma vitória nossa. Contudo, neste teste, nem todas as marcas traziam essa informação, além de apresentarem outros problemas nos rótulos.

E temos mais a comemorar! Em nosso teste do ano passado, fizemos uma crítica ao Qualitá, por ele ser o único de nossa amostra a ter a embalagem de vidro transparente, fato que pode provocar alterações no azeite. E, agora, para nossa surpresa, vimos que o fabricante acatou a nossa sugestão, trocando a embalagem para um vidro verde-escuro.

Vale destacar ainda que, em 2007, denunciamos a fraude no azeite Cocinero. E, em 2009, o fabricante corrigiu o seu problema, embora ainda tenha ficado em 17º lugar entre os 21 testados. Mas as melhorias não pararam por aí: em 2013, o Cocinero pulou para o quarto lugar e, no ano passado, conquistou o título de o melhor do teste e a escolha certa. Este ano, continua entre os melhores, mas, como aumentou o seu preço médio, não está mais entre os produtos com melhor custo-benefício.


Quatro escolhas certas
Em nosso teste atual, é triste ver que Figueira da Foz, Tradição e Pramesa são reincidentes nas fraudes. Porém, lembre-se: há 16 marcas muito boas para o consumo. E, entre elas, O-Live & CO é o melhor do teste, recebendo também o título de a escolha certa junto ao Qualitá, Carrefour Discount e Filippo Berio – estes três foram classificados como virgens no teste anterior, mais uma prova de que as marcas estão evoluindo após as nossas denúncias. E temos outra notícia boa: se você optar pela nossa escolha certa mais em conta, o O-Live & CO – que, ainda por cima, é o melhor azeite entre os testados –, em vez do mais caro do teste, o Broto Legal Báltico, vai poupar R$ 7,92 (comparação dos preços mínimos). Uma ótima junção de economia e qualidade, não é mesmo?

www.proteste.org.br