terça-feira, 28 de março de 2017

Petrópolis confirma cinco casos de malária.

Todos os pacientes são homens com idades entre 
14 e 54 anos, segundo secretaria de Saúde.


PAOLA LUCAS

Rio - Cinco casos de malária foram confirmados nos três primeiros meses do ano em Petrópolis, Região Serrana, o último foi notificado no dia 15 deste mês, revela o setor de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde da cidade. Todos os pacientes receberam a medicação e realizaram o tratamento em casa. Em nota, a secretaria explica que “a quantidade de casos é aceita dentro dos parâmetros dos Ministério da Saúde, portanto, não representam riscos à população”. Todos os pacientes são homens com idades entre 14 e 54 anos, moradores dos bairros Independência, Quitandinha, Valparaíso e Siméria. Agentes da vigilância sanitária também fizeram uma varredura nas residências e locais de convívio dos pacientes infectados para identificar possíveis focos do mosquito, que é mais comum nas regiões de mata fechada. Até o momento nenhum foco ou mosquito da espécie foram encontrados. A coordenação de epidemiologia continua investigando os casos.

Professora titular de doenças infecciosas e parasitárias da Estácio de Sá, Karis Maria Rodrigues explica que os mosquitos transmissores da malária são diferentes dos que transmitem a febre amarela e ressalta que, no caso da malária, não há vacina contra a doença, “portanto a prevenção é uso constante de repelente”, orienta Karis. “A malária é transmitida pelo grupo dos anófilos (espécie de mosquito) que aparece em regiões mais altas e vive próximo às bromélias, não sei se é o caso de Petrópolis, é preciso ter acesso aos diagnósticos. A malaria que temos aqui é de uma espécie mais branda e que pode ser tratada. É importante que os médicos levem em consideração esse momento e peçam os exames para identificar a malaria diante da mínima suspeita”, explica Karis.

Como o paciente com malária não apresenta sintomas específicos muitos acabam sendo diagnosticados com dengue, por exemplo, e não tratam com medicação correta, alerta a professora. “Apesar de não ter vacina a malária tem medicação específica, mas é preciso um diagnóstico rápido, do contrário se torna um caso grave”, explica Karis.

A professora ressalta que a febre amarela e a malária são doenças transmitidas por mosquito, mas elas não estão diretamente relacionadas. “Uma é doença viral (a febre amarela) e a outra é por protozoário (no caso da malária). O fato de ter casos de febre amarela em Casimiro de Abreu, não quer dizer que, necessariamente, haverá casos da malária", esclarece Karis.

Avanço na busca pela cura
Atualmente, não há vacina licenciada contra a malária ou qualquer outro parasito humano, explica a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, uma pesquisa sobre a vacina contra o parasito P. falciparum, conhecida como RTS, S/AS01, está bastante avançada. Com financiamento garantido para a fase inicial, em 2018 a OMS vai iniciar um programa de vacinação em três países da África Subsaariana. Para a organização, esses projetos-piloto podem abrir caminho para uma utilização mais ampla da vacina.

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