segunda-feira, 6 de março de 2017

Para alocar apadrinhados, Câmara quer aumentar número de cargos de confiança

Para não alterar orçamento, estratégia é reduzir as funções comissionadas de servidores concursados.


ESTADÃO CONTEÚDO

Brasília - Apesar do período de austeridade fiscal, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados planeja aumentar o número de funcionários de confiança dos parlamentares, os chamados cargos de natureza especial (CNE). Para fazer a mudança sem alterar o orçamento, a estratégia é reduzir as funções comissionadas dos servidores públicos lotados na Casa para abrir espaço aos apadrinhados políticos. A possibilidade de elevar cargos de confiança começou a ser discutida ainda durante o processo eleitoral para a presidência da Câmara, quando Rodrigo Maia (DEM-RJ) se reelegeu. Atualmente, a Câmara possui 3.124 servidores concursados, que recebem entre R$ 15.035,00 a R$ 28.801,02 por mês. Desses funcionários, 1.719 acumulam funções comissionadas, que variam de R$ 3.500,00 a R$ 9.430,00. Entre os cargos de confiança, há 1.621 ocupantes de CNE's, que ganham salários de R$ 3.346,00 a R$ 18.172,00; e 10.171 secretários parlamentares, recebendo de R$ 936,00 a R$ 14.334,00. A Câmara permite um total de gastos de R$ 101.971,00 por gabinete para contratações.

No sábado, integrantes das áreas de Recursos Humanos e Pessoal da Câmara se reuniram, a pedido da presidência, para discutir uma proposta sobre o assunto, que deverá ser apresentada na próxima reunião da Mesa. O objetivo é que a medida seja aprovada por meio de resolução antes da instalação das comissões da Casa. Maia negou, contudo, que pretenda incentivar a criação de novos cargos. "Apenas pedi para entender porque quase metade dos servidores da Câmara receba por funções gratificadas".

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