segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Quase 40% dos radares da cidade do Rio estão desligados.


Radar na Avenida Barata Ribeiro, em Copacabana, está desligado.
Bruno Alfano

A fiscalização aos infratores de trânsito está mais frouxa no Rio: 365 pardais estão desligados na cidade, de acordo com dados obtidos com exclusividade pelo EXTRA. Isso corresponde a 39% de todos os 926 equipamentos de fiscalização no município. E a situação deve se arrastar: o cenário herdado da antiga prefeitura ainda será analisado pela nova gestão da Secretaria municipal de Transportes. Esses radares monitoram excesso de velocidade, invasão de faixas exclusivas, circulação em horários proibidos e conversão proibida, além de lombadas eletrônicas. Os problemas são contratuais. Cinco acordos com empresas foram suspensos no ano passado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) da cidade. De acordo com empresas do setor, a decisão teria sido diretamente pelo prefeito Eduardo Paes, em outubro do ano passado, que regularia questões do orçamento do município. A suspensão de contratos também foi decretada em outras áreas da administração pública, como no setor de obras — segundo a atual administração, 93 construções estão paradas por determinação da antiga gestão.


Pardal na Rua do Catete não está multando.

De acordo com os editais da contratação desses radares, realizados entre 2011 e 2016, os aparelhos ficavam instalados em diferentes pontos da cidade, inclusive em vias importantes como avenidas das Américas, Borges de Medeiros, Epitácio Pessoa, Dom Hélder Câmara e Presidente Vargas. Além disso, dois contratos (consórcios SGB Transcarioca e Guarda Bem Serget) foram finalizados no fim do ano passado e não foram renovados. — A ideia não é ficar cobrando multa, mas educar. Estamos estudando a forma desses radares serem utilizados — diz o secretário de Transportes e engenheiro de tráfego, Fernando Mac Dowell.

A nova presidente da CET-Rio, Virgínia Maria Salerno Soares, afirmou que não sabia a razão da suspensão dos contratos. O EXTRA conversou com a funcionária de carreira do órgão na última quinta-feira, um dia depois dela ter sido nomeada para o cargo. — Estou me inteirando agora da situação da CET-Rio. Ainda não sei porque esses contratos foram suspensos — afirmou Virgínia Soares.

Antes dela assumir a presidência do órgão, o cargo ficou provisoriamente com Paulo Cézar Ribeiro, professor da Coppe/UFRJ. Ele havia sido anunciado pelo secretário Mac Dowell e chegou a trabalhar por quase dez dias, mas não ficou com a vaga. Crivella afirmou que Paulo Cézar não foi nomeado por uma “doença grave”. No entanto, o professor da Coppe desmentiu o prefeito. A secretaria, depois, afirmou que o problema era contratual: ela teria que pagar o salário dele de presidente da CET-Rio e o de professor universitário.

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