quinta-feira, 28 de julho de 2016

Concorrente do Uber vai operar também com táxis

T81 promete amarelinhos com tarifa 
até 40% menor do que a dos taxímetros.


Taxistas discordam quanto ao uso do aplicativo. "Não sou a favor, estaria me juntando 
à ilegalidade se aceitasse cobrar sem taxímetro", diz Victor Hugo Luqueci (direita).
GUSTAVO RIBEIRO

Rio - Em uma tentativa de fazer as pazes com os taxistas, o aplicativo brasileiro T81, que oferece serviço de motoristas particulares, como o Uber, vai disponibilizar viagens com táxis a partir do próximo sábado no Rio e em outras cinco cidades onde a empresa atua. A tarifa será calculada com valores do app — mais baratos que os do taxímetro, que ficará desligado. A T81 garante que a economia poderá chegar a 40% em relação às corridas feitas hoje pelos veículos amarelinhos. Mais de 1.200 taxistas já foram cadastrados no Rio, em São Paulo, Joinville, Fortaleza, Recife e Goiânia. A tarifa no T81 é calculada a partir de bandeirada de R$ 2,00 mais R$ 1,60 por quilômetro e R$ 0,17 por minuto. Os táxis cariocas cobram, na bandeira 1, bandeirada de R$ 5,40 mais R$ 2,30 por km e R$ 28,98 por hora parada (adicional proporcional ao tempo parado ou em velocidade inferior a 20 km/h). O aplicativo diz que a medida tem objetivo de “retirar as barreiras que impedem os taxistas de concorrer em igualdade com motoristas particulares” e que se respalda na legislação de cada município “que impede a cobrança acima da tabela de tarifas, mas não proíbe desconto no valor das corridas”.

Para a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), “nada impede que táxis regulamentados aceitem corridas pelo T81, desde que seja obedecido o uso obrigatório do taxímetro”. Segundo o órgão, caso um taxista seja flagrado por fiscais com o taxímetro desligado estará sujeito à cassação de sua autorização.

Em junho, o juiz Eduardo Antonio Klausner, da 7ª Vara de Fazenda Pública do Rio, negou pedido de liminar da T81 para que motoristas do aplicativo não sejam fiscalizados pelo Detro e pela SMTR. A empresa recorre da decisão, já que, em abril, a juíza Ana Cecília Argueso, da 6ª Vara de Fazenda Pública, impediu aplicação de multas ou outros atos que restrinjam a atividade do Uber. A T81 cobrará do taxista taxa de 10% apenas sobre pagamentos com cartão de crédito. As corridas também poderão ser pagas em dinheiro. “Se vai trazer mais passageiros, é positivo, porque estamos perdendo clientes para o Uber”, diz o taxista Leo Alves, de 54 anos. “A proposta é indecente, porque a tarifa da prefeitura leva em conta nossos custos operacionais. Como vamos trabalhar com custo menor?”, contesta Paulo Ferreira, 59 anos, também taxista.

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