sexta-feira, 15 de julho de 2016

Caminhão atropela e mata mais de 70 em atentado terrorista no sul da França

Multidão reunida em avenida litorânea em Nice esperava queima de fogos da festa nacional do Dia da Bastilha. Centenas de pessoas ficaram feridas. Motorista foi abatido.


O para-brisa do caminhão usado no atentado mostra marca de tiros.
O DIA

Nice - Um atentado terrorista em Nice transformou em tragédia a festa do Dia da Bastilha, feriado nacional na França. Uma multidão ocupava a principal avenida litorânea da cidade a espera da queima de fogos quando um caminhão avançou sobre as pessoas, atropelando dezenas até o motorista ser abatido a tiros. Autoridades francesas confirmaram que pelo menos 60 pessoas morreram, a maioria delas atropelada. Segundo fontes oficiais da França, já foram registrados 77 mortos e 120 feridos. O motorista do caminhão foi abatido a tiros pela polícia. Ele carregava armas e granadas no veículo.

Hollande confirma que ataque em Nice foi ato terrorista
O presidente francês François Hollande disse em um pronunciamento já na madrugada francesa que o atentado com um caminhão em Nice que matou pelo menos 77 pessoas, incluindo crianças, foi um ato terrorista. “A natureza terrorista [do ataque] não pode ser negado. O motorista foi morto a tiros, não sabemos se ele tinha cumplices”, disse Hollande. “Toda a França está sob ameaça do terrorismo islâmico”. Hollande declarou que o estado de emergência iniciado após os ataques de novembro de 2015 e que se encerrariam no dia 26 de julho agora serão extendidos por mais três meses após o ataque de Nice. De acordo com o presidente, o trabalho da polícia aumentará, inclusive nas fronteiras O presidente também disse que a França vai fortalecer sua campanha na Síria e no Iraque após o ataque a Nice.

Um vídeo na Internet reproduzido por emissoras de TV no exterior mostra o caminhão se aproximando em baixa velocidade quando um homem tenta fazê-lo parar. Em seguida, o veículo acelera e se lança sobre a multidão. Moradora de Nice há 11 anos, a brasileira Adriana Izzo-Ortolano relatou no Facebook o pavor vivido durante o atentado. No ataque ela e o marido ficaram a apenas um metro e meio do caminhão em alta velocidade. "Foi após os fogos de artifício. De repente eu vi pessoas correndo, então este grande caminhão veio e atropelou alguém a sangue frio, que morreu. A gente se escondeu atrás de uma barraca doces e ouviu muitos tiros. A polícia disse degagez, que em francês significa corre. Parece que estamos a salvo por agora, Nós fechamos as janelas e persianas. Não sair de casa e rezar".

Segundo a administração regional de Alpes-Maritimes, da qual Nice é a capital, o atentado aconteceu por volta de 22:45hs., na Promenade des Anglais (Caminho dos Ingleses), uma das mais importantes da cidade. As autoridades suspenderam as comemorações do Dia da Bastilha e orientaram os moradores e turistas a permanecer em casa.


Dezenas de pessoas ficaram feridas.

As primeiras imagens compartilhadas nas redes sociais mostram corpos aglomerados em plena avenida e pânico em ruas adjacentes. No Twitter, o prefeito de Nice, Christian Estrosi, pediu que as pessoas não saíssem de suas casas e diz que irá continuar divulgando informações. "O motorista de um caminhão parece ter causado dezenas de mortes", escreveu.

O presidente da França, François Hollande, havia confirmado na quinta-feira que o estado de emergência decretado após os atentados de Paris, em 13 de novembro de 2015, será cancelado depois de 26 de julho e que se reduzirá ao deslocamento de militares da missão antiterrorista dentro da França. "O estado de emergência não pode ser prolongado eternamente", disse Hollande. Ao saber do atropelamento de centenas de pessoas o presidente da França, François Hollande, que estava em Avignon, no sul do país, deixou a cidade e convocou uma reunião de emergência com seu gabinete, na sede do Ministério do Interior, em Paris. ”Tudo indica” que se trata de um atentado, disse o fiscal antiterrorista da França, François Mollins, ao comentar o atropelamento.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também mostrou solidariedade à França e condenou "o que parece ser um horrível atentado terrorista" em Nice. "Nossos pensamentos e orações estão com os familiares e outros entes queridos dos que foram mortos", disse o presidente, que elogiou "a resiliência extraordinária e os valores democráticos que fizeram da França uma inspiração no mundo todo". Obama ofereceu às autoridades francesas "toda a assistência que eles possam precisar para investigar esse ataque e levar os responsáveis à justiça".

O presidente interino, Michel Temer (PMDB), escreveu em seu Twitter que "é lamentável que, no dia que eternizou a fraternidade como lema do povo francês, um atentado destrua a vida de tantos cidadãos". Por meio das redes sociais, a presidente afastada Dilma Rousseff também se manifestou sobre o atentado. Foram cinco postagens seguidas no Twitter sobre o assunto, repudiando o ocorrido. Em suas manifestações, Dilma já admite o ataque como um atentado terrorista.

“Não podemos nos deixar amedrontar, nem nos abatermos. O povo francês saberá superar mais esta tragédia”, disse ela em uma de suas postagens. Em seguida, escreveu “Repudiamos com veemência o terrorismo” e “Neste momento de dor, manifesto minha solidariedade aos familiares e amigos das vítimas, ao presidente @FHollande e ao povo francês”.

Boato sobre a Torre Eiffel
Após o atentado em Nice, informações desencontradas e boatos circularam nas redes sociais. Um dos boatos foi sobre um incêndio na Torre Eiffel. A informação foi desmentida pelas autoridades.

Com informações de Estadão Conteúdo, Agência Brasil, France Info e agências internacionais
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