quarta-feira, 6 de julho de 2016

Atendimento de emergência em seis unidades federais cai 70% no Rio

Dados são do próprio Ministério da Saúde. Já as verbas 
transferidas pelo órgão cresceram, em média, 20%.


Apesar de ter atendimento menor, o valor das verbas recebidas pelas 
unidades e o número de funcionários aumentaram de 2014 para 2015.
WILSON AQUINO

Rio - A participação da rede federal de hospitais nos cuidados à população do Rio vem sendo reduzida drasticamente nos últimos cinco anos. Segundo dados do próprio Ministério da Saúde (MS), o número de atendimentos de emergência nas seis unidades federais da capital fluminense apresenta uma queda de 70%. Em 2010, foram 278.158 casos contra 81.007, em 2015. As consultas ambulatoriais diminuíram 27%: 1.021.114, em 2010, contra 745.138, em 2015. As internações registraram queda menor: 18%. Foram 60.196 pacientes, em 2010, enquanto que em 2015, o número foi de 48.816. Em contrapartida, as verbas transferidas pelo MS para os seis hospitais federais do Rio aumentaram, em média, 20%, de 2014 para 2015, saltando de R$ 25.600.000,00 para R$ 30.000.000,00. O quadro de pessoal nos seis hospitais federais também foi reforçado: pulou de 13.724, em 2014, para 14.740 profissionais, em 2015, aumento de 7%. Os recursos de média e alta complexidade repassados ao estado do Rio de Janeiro, entre 2010 e 2015, segundo o Ministério da Saúde foram ampliados em 64%, passando de R$ 2.300.000,00 para R$ 3.800.000,00.

A consequência é que nenhum dos hospitais federais do Rio foi relacionado como referência para atendimento nas Olimpíadas. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os hospitais Souza Aguiar (Centro), Salgado Filho (Méier), Lourenço Jorge (Barra), Albert Schweitzer (Realengo) e Miguel Couto (Leblon), mais a UPA do Engenho de Dentro e as Coordenações de Emergência Regional (CER) do Centro, Barra e Leblon, ficarão encarregados de cuidar dos visitantes. O Hospital de Força Aérea do Galeão, HFAG, será a unidade de referência durante os Jogos Olímpicos Rio 2016 para o atendimento de vítimas de DBQRN (Defesa Biológica, Química, Radiológica e Nuclear).

O MS, em nota, contesta a redução das internações, usando como parâmetro apenas os anos de 2014 e 2015. “Em relação a 2014, o número de internações, em 2015, apresentou um aumento de 6,16% passando de 44.098 para 46.816”. Entretanto, com relação aos demais atendimentos nas unidades federais, o Ministério admite a queda. “Os outros indicadores apresentaram pequenas variações, com exceção dos atendimentos de emergência, que indicaram uma redução de 24,41%”.


Foto: Arte O Dia.

Os motivos, entretanto, são vagos. De acordo com o MS “pode ser reflexo de vários aspectos”, citando o caso do setor de emergência do Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, que teve o serviço reinaugurado em janeiro de 2015, após a finalização das obras. Segundo nota, o atendimento neste hospital apresentou aumento de 56,27% em relação a 2014, mas os números absolutos não foram divulgados. Para o doutor em política pública de saúde, Alessandro Paiva, da Faculdade Mackenzie Rio, mesmo sem atentado terrorista, a estrutura e material é insuficiente para uma demanda extra. “Nos últimos cinco anos perdemos 22% dos leitos no Estado, uma redução de sete mil vagas. Vai ficar caótico”, avisa.

Redes estão precárias e muito cheias
O Rio tem meia dúzia de hospitais federais. Todos são gigantes (o HSE, por exemplo, tem 107 mil m² de área construída) que estão se apequenando para desespero das pessoas que sentem dor. “Estamos com as redes municipais e estaduais, que já são precárias, sobrecarregadas. O Hospital de Bonsucesso era referência em emergência. Hoje está praticamente fechado, atendendo em contêineres de lata, uma situação improvisada há cinco anos”, reclama o deputado Milton Rangel (DEM), autor do levantamento. “A gente sabe que as despesas aumentaram e os atendimentos caíram assustadoramente. Mas, quais as reais razões?”, questiona o parlamentar. No caso do Hospital do Andaraí, as eternas reformas são apontadas como a causa da redução vertiginosa nos atendimentos. Único hospital público da Grande Tijuca, o Andaraí viu os atendimentos na emergência caírem de 155.418, em 2010, para 46.477, em 2014. Uma queda de 70%. “Em 2012, demoliram a emergência, alegando que seria construída uma nova em 18 meses para a Copa do Mundo de 2014. Das promessas, restaram apenas os escombros”, afirmou um servidor. “Está vendo aquelas seis ambulâncias novinhas?”, apontou, outro servidor, para UTIs móveis estacionadas no pátio. “Ficam paradas o dia inteiro. É muito desperdício de dinheiro”, reclamou.

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