quarta-feira, 18 de maio de 2016

Rio é o estado que mais desativou leitos em hospitais no país

Denúncia do Conselho Federal de Medicina aponta 
queda de 23,5 mil leitos do SUS no país em cinco anos.


Sem leitos, pacientes de hospitais do Rio são atendidos 
nos corredores enquanto aguardam transferência.
O DIA

Rio - Nos últimos cinco anos, o Brasil perdeu 13 leitos de internação hospitalar por dia. O Rio de Janeiro foi o estado que mais desativou leitos destinados a pacientes que precisam permanecer num hospital por mais de 24 horas, à frente de Minas Gerais (- 3.241 leitos) e São Paulo (- 2.908). Neste período, foram fechados 7.052 leitos nos hospitais fluminenses, aproximadamente 30% de todos os leitos desativados no país. Entre as capitais, foram os cariocas os que mais perderam leitos na rede pública (-2.503), seguidos pelos moradores de Fortaleza (-854) e de Brasília (-807). Em dezembro de 2010, o país dispunha de 335,5 mil deles para uso exclusivo do Sistema Único de Saúde (SUS). Em dezembro do ano passado, o número baixou para 312 mil — 23.500 leitos a menos para a população.

A denúncia foi feita pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde. As especialidades mais afetadas são psiquiatria, pediatria cirúrgica, obstetrícia e cirurgia geral. Já os leitos destinados à ortopedia e traumatologia foram os únicos que sofreram acréscimo superior a mil leitos. Para o presidente do Conselho, Carlos Vital, a falta de leitos vivida diariamente por médicos e pacientes nos hospitais brasileiros provoca atrasos no diagnóstico e no início do tratamento que aumentam a taxa de mortalidade. “A insuficiência de leitos para internação ou realização de cirurgias é um dos fatores que elevam o tempo de permanência nas emergências. São doentes que acabam ‘internados’ nas emergências à espera de encaminhamento para um leito adequado, correndo riscos de contrair infecções”, constata.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a maior parte dos leitos fechados pertenciam aos hospitais particulares que prestavam serviço ao SUS. O órgão acrescentou que na rede pública o número de leitos cresceu 6%. Para o 1º secretário do CFM, Hermann Tiesenhausen, o fechamento de hospitais filantrópicos é uma consequência do congelamento da tabela de pagamentos do SUS, relativa aos procedimentos médicos. “Na realidade atual, como a doença não avisa, só resta ao usuário do SUS rezar para não adoecer e não precisar de internação hospitalar”, critica.

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