sábado, 21 de maio de 2016

Cremerj alerta para falta de recursos na Saúde nos Jogos Olímpicos

Conselho também se preocupa com baixo estoque de sangue, 
por causa da greve do setor administrativo do Hemorio.


Na UPA da Tijuca, pacientes como Renata têm que comprar remédios.
AMANDA RAITER

Rio - Inspeções feitas pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj) nos hospitais públicos do Rio levaram a entidade a demonstrar preocupação com o atendimento à população e aos estrangeiros durante os Jogos Olímpicos, quando o Rio receberá cerca de 800 mil turistas. Segundo o vice-presidente da entidade, Nelson Nahon, há um déficit hoje de 150 a 200 leitos de Centros de Tratamento Intensivos (CTI) diários na rede pública. Segundo Nahon, a integração da rede de leitos municipal, estadual e federal poderá reverter esse déficit. “O atendimento inicial de urgência e emergência é feito pelas UPAs, que estão sobrecarregadas com poucos médicos”, disse Nahon. O Cremerj garante que há tempos vem denunciando o baixo número de leitos funcionando nas nove unidades hospitalares federais do estado, o desabastecimento de insumos, a dificuldade no deslocamento dos profissionais de saúde e a baixa coleta de sangue. Uma outra questão que também preocupa o Cremerj é o baixo o estoque de sangue no Rio de Janeiro, devido à greve de servidores no Hemorio.

Durante os Jogos, o Comitê Rio 2016 está responsável pelo atendimento aos atletas em clínicas particulares. A população e os estrangeiros serão assistidos no Sistema Único de Saúde (SUS). O planejamento prevê 146 ambulâncias cedidas pelo Ministério da Saúde, R$ 30.000.000,00 para o atendimento das ambulâncias, contratação de médicos e profissionais de saúde para complementação das equipes e quatro áreas de atendimento para primeiros socorros em Copacabana, Deodoro, Maracanã e Barra. A secretaria estadual de Transporte garantiu que vai haver bloqueios de vias para que ambulâncias possam seguir sem problemas para os hospitais de referência em traumas. Para os moradores do Rio, hoje a situação já é bastante crítica. “Na UPA da Tijuca, pacientes tiveram que comprar remédios. Não tem paracetamol para o meu tio e nem fita para medir a glicemia dele que é diabético”, disse a auxiliar de serviços gerais Renata Rigoto, de 38 anos.

Novas salas e aparelhos
Apesar dos alertas dos médicos, a Secretaria Municipal de Saúde garante que a cidade está preparada para atender a população e estrangeiros durante os Jogos. As unidades de saúde que serão referências serão o Miguel Couto, Lourenço Jorge, Souza Aguiar, Albert Schweitzer e Salgado Filho. Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a sala de trauma do Lourenço Jorge, na Barra, foi readequada. No próximo mês, será inaugurada a sala de trauma do hospital municipal Miguel Couto, na Gávea. O Souza Aguiar, no Centro, está recebendo nova aparelhagem de ultra-som, raio-x e tomografia, além de uma nova sala para socorro de múltiplas vítimas.

Colaborou a estagiária Julianna Prado
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