quarta-feira, 20 de abril de 2016

Psol ainda resiste a aceitar apoio do PT nas eleições contra o PMDB de Paes

Apesar do partido de Marcelo Freixo se destacar na defesa do mandato de Dilma Rousseff, união ainda é vista com reservas.


Marcelo Freixo (Psol) não vai oferecer cargos em troca de apoio
CAIO BARBOSA

Rio - Partido que tem se destacado em defesa da permanência de Dilma Rousseff na presidência, sem condicionar o apoio a qualquer tipo de cargos ou favorecimentos futuros, o Psol terá um teste de fogo nas eleições de outubro, no Rio de Janeiro. A aliança com o PT no plenário da Câmara dos Deputados em torno do processo de impeachment é fato consumado. Mas em nível municipal, onde o Psol terá o deputado estadual Marcelo Freixo como candidato à sucessão de Eduardo Paes, a união entre petistas e psolistas ainda é vista com muitas reservas pela cúpula dos dois partidos.

No PT, há correntes que ainda defendem o apoio ao deputado Pedro Paulo Carvalho (PMDB), mesmo com seu voto a favor do impeachment, e outras que consideram a deputada Jandira Feghali (PCdoB) o nome mais adequado, inclusive para atacar Pedro Paulo, que passará boa parte da campanha tendo de responder sobre as agressões à ex-mulher. Há ainda os que defendem a candidatura própria, com o deputado federal Wadih Damous, e aqueles que preferem, sim, uma aliança de toda a esquerda com o Psol de Marcelo Freixo na cabeça de chapa. “Nada está descartado. Acho Pedro Paulo o candidato mais preparado. Temos uma parceria que deu certo. Mas o voto dele contra a presidente Dilma inviabiliza qualquer tipo de aliança. Soube que o Psol tem veto em relação a receber apoio do PT. Vou procurá-los para saber se é um fato. Apoiar o Freixo é uma ideia que me agrada”, disse Bob Calazans, presidente do diretório municipal do PT.

O deputado Marcelo Freixo, por sua vez, não falou em veto. Mas diz que é preciso haver muito debate entre as partes antes de aceitar um possível apoio do PT neste momento. “O PT faz parte da gestão do prefeito Eduardo Paes há oito anos, assim como o PCdoB. A mesma gestão contra a qual nos confrontamos desde o início, pois temos uma outra concepção de projeto para a cidade. Não podemos chegar agora, da noite para o dia, e fingir que nada disso aconteceu”, disse Marcelo Freixo.

Aliança só no segundo turno
Apesar da resistência ao PT, Marcelo Freixo considera fundamental a construção de um projeto político que faça com que pelo menos um candidato de esquerda esteja no segundo turno contra Pedro Paulo ou Marcelo Crivella (PRB), os mais cotados. Freixo, no entanto, condicionou qualquer tipo de aliança a um “conteúdo programático” e garantiu que se recusará a debater a sucessão de Paes em torno de trocar de cargos por tempo de TV no horário eleitoral gratuito. “Não vamos cometer os mesmos erros do PT. O debate é sobre a cidade, não sobre cargos para este ou aquele partido”, insistiu. O deputado disse, ainda, que os desdobramentos da eleição municipal não mudarão a postura do Psol no Congresso Nacional. “Seguiremos denunciando o golpe que está em curso em Brasília porque consideramos um absurdo esta manobra de Temer, Cunha & Cia”, afirmou.

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