quinta-feira, 31 de março de 2016

Cheia de dívidas, Uenf ameaça parar

Débito de R$ 2.000.000,00 com luz compromete 
anos de pesquisas na universidade.


Telefones do campus foram cortados e fornecimento de água 
pode ter sido interrompido na segunda-feira.
O DIA

Rio - Sem recursos devido à crise financeira do estado, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) pode perder 20 anos de pesquisa por causa de corte no abastecimento de energia e água. Atolada em R$ 11.000.000,00 de dívidas, a instituição informou que já foi notificada pelas distribuidoras Ampla e a Águas do Paraíba que iria ter o fornecimento interrompido na segunda-feira por falta de pagamento. Entre os materiais de pesquisa que podem ser afetado estão amostras de DNA de animais em extinção, como o mico-leão dourado, além de trabalhos de melhorias genéticas em sementes (como de mamão e pimenta). Há também equipamentos de grande porte que funcionam a 70 graus negativos. Se desligados, o custo para religá-los é bem alto. “A Uenf é fiel-depositária de vários tipos de materiais genéticos, isso é uma grande responsabilidade. O que diremos ao Ibama e ao CNPQ se perdemos anos de pesquisa por falta de água e energia? Será algo catastrófico”, afirma o reitor da Uenf, Luis Passoni. A reitoria ponderou que a Secretaria de Fazenda ainda tenta negociar a dívida com a Ampla, que chega a R$ 2.000.000,00. Já com a Águas do Paraíba, o débito é de R$ 400.000,00. Também não há mais gasolina para os carros dos laboratórios (dívida de R$ 200.000,00) e os telefones (dívida de R$ 150.000,00) foram cortados. Os professores usam os seus próprios para trabalhar.

O orçamento previsto para a Uenf neste ano é de R$ 180.000.000,00, mas o envio de recursos está atrasado. Em nota, a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, a qual a Uenf é vinculada, informou que o Estado tem feito repasses de acordo com a disponibilidade de dinheiro em caixa. “Novos pagamentos serão realizados para a Uenf, que tem autonomia na gestão, o mais rapidamente possível, dependendo da liberação de recursos. A prioridade do governo tem sido o pagamento de salário”, afirmou em nota. Além dos problemas financeiros, os docentes decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira.

Reportagem de Marlos Bittencourt
http://odia.ig.com.br/