sábado, 13 de fevereiro de 2016

O "terremoto bancário": uma nova ameaça para a economia mundial

Na Europa, os grandes bancos tiveram uma "semana negra", com profundas perdas no mercado.


Jornal do Brasil

A grave crise que atinge os bancos europeus acendeu o sinal de alerta no mundo: para onde vai a economia do planeta? Diversos fatores, interligados, vêm se acumulando em 2016 para minar a confiança dos investidores e a segurança do mercado internacional. A desaceleração econômica da China, país que é o maior consumidor de commodities no mundo, agrava a queda do preço do petróleo, já refém de um mercado saturado, e ecoa do outro lado do planeta, nos Estados Unidos e na Europa, principalmente. No Velho Continente, onde os grandes bancos colecionam ativos de petróleo, o sistema financeiro vive seu momento mais delicado desde a crise de 2008. Na última segunda-feira (8), sete dos principais bancos europeus registraram baixas superiores a 5%, afundando as bolsas de seus países. As ações do Deutsche Bank, maior banco comercial alemão, sofreram a maior desvalorização de sua história, -9,5%, e seguiram despencando pela semana, o que torna mesmo a maior economia do continente um alvo de incertezas.

Na terça (9) e na quinta-feira (11), as ações bancárias voltaram a afundar, confirmando a tendência negativa para o setor. Após recuperação na quarta-feira (10), o Société Générale, na França, retrocedeu 12,57%, e o BNP Paribas, 6,02%. Na Itália, o Ubi Banka caiu 12,11%, e o BMPS, 9,88%. Já na Espanha, o España Bankia teve baixa de 7,64%, e o BBVA, 7,14%. O Deutsche Bank também voltou a cair muito, perdendo 6,14%.

As ações do sistema financeiro, não só na Europa, mas em todo o mundo, já despencam desde o início de 2016. Na Itália, por exemplo, os bancos já caíram 31% até aqui, na Grécia, 60%. O Japão, adotando o juro negativo (-0,1%) desde o fim de janeiro, registrou queda de 36% de suas ações bancárias. Do outro lado do Pacífico, mesmo os Estados Unidos, que vivem momento de relativa estabilidade econômica, viram as ações de seus bancos sofrerem baixa de 19% em menos de um mês e meio.

É inegável, contudo, que o sistema financeiro europeu é aquele que mais sofre com o que a imprensa alemã vem chamando de "terremoto bancário". As ações dos maiores bancos da zona do Euro sofrem uma onda de vendas pior que a registrada na crise financeira internacional de 2008, com o Deutsche Bank, o UniCredit e o Credit Suisse, por exemplo, recuando duas vezes mais rápido que há oito anos atrás. Instituições financeiras europeias, somadas, já perderam praticamente 25% de seu valor desde o início de 2016, o equivalente a mais de US$ 240.000.000.000. Apesar de uma recuperação das ações bancárias e das bolsas observada na quarta-feira (10) e nesta sexta-feira (12), as perspectivas seguem sendo as piores possíveis. A situação econômica chinesa deve piorar, com uma eminente desvalorização do yuan, e as commodities, apontam especialistas, continuarão caindo ao longo do ano. O gigantesco e preocupante prejuízo que bancos europeus e norte-americanos estão acumulando nas últimas semanas acendeu o sinal de alerta em todo o mundo. Autoridades como a presidente do Fed e representantes do governo alemão vieram a público tentar acalmar os ânimos do mercado, que vive uma sequência de profundas quedas nas bolsas de todo o mundo.

Se nos Estados Unidos e em países desenvolvidos da Europa - que possuem sólida estrutura nos setores de saúde, educação, saneamento e segurança - uma crise como a que se anuncia alarma autoridades e estremece a relação da população com seus governos, uma crise destas proporções num país sem este grau de desenvolvimento tem um potencial muito mais grave. Em países que não possuem fatores de contenção do radicalismo social, como a religiosidade na Índia, com suas vacas sagradas, ou como os regimes autoritários, nos quais a pobreza é absoluta, os direitos humanos não são respeitados, e os únicos "direitos" da população são de apenas viver, uma crise deste calibre tem proporções catastróficas. Imaginem o tamanho da convulsão social num país com 200 milhões de habitantes como o Brasil, com seu desemprego, sua falta de hospitais, de escolas e suas condições degradantes nas favelas... Este é o país em que, segundo alguns analistas, uma crise pode trazer melhorias?

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