quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ex-secretário de obras da gestão de Paes é preso na Lava Jato.

Alexandre Pinto foi detido em casa, na manhã desta quinta-feira, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio.


Ex-secretário Alexandre Pinto foi preso na Operação Lava Jato.
O DIA

Rio - Ex-secretário de obras da gestão do ex-prefeito Eduardo Paes, Alexandre Pinto foi preso na operação 'Rio, 40 graus', um desdobramento da Lava Jato, na manhã desta quinta-feira. Ele foi encontrado por policiais federais em casa, em um condomínio de luxo, na Taquara, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Ao todo, os agentes pretendem cumprir dez mandados de prisão, sendo nove no Rio e um em Pernambuco. A nova fase foi iniciada após investigações de contratos no governo de Paes. Nesta operação, os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) se basearam na delação premiada de Luciana Salles Parente, ex-integrante do conselho do consórcio formado pela OAS, Carioca Engenharia e Contern. Os agentes investigam o pagamento de propina e desvio nas obras da Transcarioca e da drenagem do córrego da Bacia de Jacarepaguá. Os policiais cumprem mandados de busca e apreensão em um condomínio no Pontal do Recreio, também na Zona Oeste. Há ainda um mandado de condução coercitiva (quando uma pessoa é levada para depor) contra o advogado Luciano Ramos Volk, em São Paulo. Além de Pinto, lobistas e fiscais da prefeitura responsáveis pelas obras também são alvos da ação. Essa foi a primeira vez que a Lava Jato chegou no âmbito municipal. Todos os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ªVara Federal Criminal do Rio.

Relembre o caso
Assim como o DIA publicou em abril deste ano, Luciana relatou à Justiça um esquema de pagamento de propinas ao Tribunal de Contas do Município (TCM) por obra do lote 2 do corredor BRT Transcarioca, trecho entre a Penha e o Galeão. A ex-executiva disse que havia cobrança de 1% do contrato de R$ 500.000.000,00 ao TCM, mesmo percentual acertado com o então secretário de Obras da prefeitura e 3% aos fiscais do Ministério das Cidades.

A operação do pagamento é parecida com a cobrança às empreiteiras exigida pelos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ou seja, 1% de obras acima de R$ 5.000.000,00. Luciana alegou que tomou conhecimento dos “compromissos de pagamento de vantagens indevidas” já nas primeiras reuniões do conselho, em que ela participou como diretora operacional na empresa.

A engenheira acrescentou que Antonio Cid Campelo, representante da OAS, trouxe a “demanda” e chegou a mencionar “a pessoa do TCM” que exigira a propina, mas ela não se recorda do nome. Em nota, à época, o TCM informou não ter conhecimento da denúncia e que só poderá se manifestar após ter acesso a esta. Mas que desde já coloca todos os processos — auditorias e inspeções — sobre a Transcarioca à disposição para quem quiser ver o farto material a respeito e a condução dos trabalhos feitos pelo corpo técnico e pelos conselheiros do TCM.

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