quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Dia de susto e alívio para pacientes.

Funcionários protestam contra fim de 11 Clínicas da Família, 
mas prefeito desmente o fechamento.


Profissionais da OS Iabas fizeram protesto ontem, em Jacarepaguá.
WILSON AQUINO

Rio - Rumores sobre o fechamento de 11 Clínicas da Família na cidade causaram apreensão entre pacientes e confusão na Zona Oeste ontem. Porém, o prefeito Marcelo Crivella negou, com veemência, que o município vá fechar qualquer unidade de saúde, como chegou a ser divulgado por funcionários das Organizações Sociais (OSs) que gerenciam as clínicas e pelo vereador Paulo Pinheiro (PSOL). Mesmo com a notícia da prefeitura, funcionários de várias unidades de saúde fizeram manifestação à tarde e chegaram a fechar pistas da Avenida Ayrton Senna, na Barra. Em nota, a prefeitura alegou que a informação sobre o fechamento é falsa. “Sabemos da grave crise que atinge o estado e o município do Rio, mas todos os esforços estão sendo feitos para garantir os serviços públicos de saúde, inclusive com inúmeros mutirões que foram realizados, aumentando o número de consultas, exames e cirurgias, na comparação com o mesmo período do ano passado”, afirmou o prefeito Marcelo Crivella. Ele ressaltou ainda que “é preciso enaltecer o esforço extraordinário de médicos, enfermeiros e funcionários, sem os quais tão monumental superação jamais poderia ser alcançada”.


Dentro das Clínicas, funcionários estavam apreensivos com o possível fechamento.

O município esclareceu que está havendo uma renegociação de contratos com as OSs. Entretanto, funcionários das Clínicas disseram que participaram de reuniões onde foram avisados pelos chefes sobre o fim das atividades nas unidades. Os boatos deixaram os pacientes extremamente preocupados.

Grávida de oito meses, Carla Trindade, 26 anos, que faz pré-natal na Clínica da Família Maicon Siqueira, em Jacarepaguá, ficou apavorada. “Cheguei aqui hoje (ontem) e o porteiro me avisou que vai fechar até o dia 23. As balconistas disseram que não poderiam marcar consultas depois dessa data. Meu agente de saúde disse que posso fazer exames na sexta (11), mas que o atendimento não será por muito tempo”.

Já Elizi de Moraes, 59, que também é atendida na Maiocon Siqueira, recebe remédios para pressão alta e a diabetes de graça e tem medo de perder o benefício. “Sou diabética e não tenho condições de pagar um plano de saúde. É uma covardia o que estão fazendo conosco”, lamentou.

Funcionários do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), organização responsável por 74 Clínicas e Centros Municipais da Saúde, fizeram protesto contra o fechamento das clínicas. Procurada pelo DIA, a OS não quis se manifestar, alegando que somente a Secretaria falaria sobre o assunto.

Emergência do Pinel é fechada.
A emergência do Instituto Municipal Philippe Pinel, tradicional hospital psiquiátrico em Botafogo, que atende cerca de 30 pacientes por dia, foi fechada, ontem, pela prefeitura por falta de médicos. A Secretaria Municipal de Saúde explicou que devido ao impedimento de novas contratações, por causa do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, não foi possível repor as recentes perdas de médicos da unidade. Segundo a Secretaria, as demandas de urgência e emergência psiquiátricas serão encaminhadas para outras unidades, como a Coordenação de Emergência Regional (CER) da Barra e a Policlínica Rodolpho Rocco,em Del Castilho. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) se posicionou contra o fechamento. Em nota, o Cremerj informou que pedirá esclarecimentos à SMS e “reivindicará a reabertura do serviço, tão necessário para a população”.

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