quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Batman' e 'Robin' a serviço da quadrilha do ex-governador Sérgio Cabral, do PMDB

'Dupla dinâmica', segundo o juiz, tinha o poder de numa simples 
ligação telefônica (...) permitir a ocultação de grandes somas de dinheiro.

Nuno Canhão Bernardes Gonçalves Coelho, o Batman.

ADRIANA CRUZ

Rio - Os empresários do ramo da construção civil Nuno Canhão Bernardes Gonçalves Coelho, o Batman, e Guilherme Neves Vialle, o Robin, viram vilões para o juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, por integrar esquema de lavagem de dinheiro envolvendo apartamentos do ex-presidente do Departamento de Transporte Rodoviário (Detro), Rogério Onofre, apontado como integrante da quadrilha do ex-governador Sérgio Cabral, do PMDB. Onofre é acusado de ter recebido R$ 43.000.000,00 de empresários de ônibus, como consta nas investigações da operação Ponto Final. Bretas decretou a prisão dos ex-super-heróis. Batman foi preso em Curitiba. Robin está fora do país. Segundo Bretas, a dupla dinâmica teria o poder, se ficasse em liberdade, de em "uma simples ligação telefônica ou uma mensagem instantânea pela internet (...) permitir a ocultação de grandes somas de dinheiro". Para prender os vilões, a Polícia Federal deflagou a operação Gotham City.

De acordo com o Ministério Público Federal, Dayse Deborah Alexandra Neves e o marido, Rogério Onofre, compraram 11 imóveis dos empresários, sócios da VCG Empreendimentos Imobiliários e da Koios Participações, mas só declararam 50% do custo real das aquisições, equivalente a R$ 3.4 00.000,00. Em depoimento, uma testemunha contou que em 2014 transferiu, como mútuo simulado, R$ 7.000.000,00 para a empresa Escocia SPE Empreendimentos Imobiliários, dos acusados, a pedido de Onofre.

A Gotham City é desdobramento da operação Ponto Final, que aponta o pagamento de R$ 500.000.000,00 a agentes públicos por empresários de ônibus. O ex-governador Sérgio Cabral é acusado de ter recebido R$ 144.000.000,00 entre 2010 e 2016. O blog tentou falar com a defesa dos investigados, mas os advogados não foram localizados. Onofre e Dayse foram presos, em julho.

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