quarta-feira, 5 de julho de 2017

Tiroteio no Lins termina com criança baleada.

Moradores fizeram protesto e rua foi fechada. Subcomandante 
da UPP Camarista/Méier também ficou ferido.


A pequena Vanessa chegou morta ao Hospital Salgado Filho.
O DIA

Rio - Um intenso tiroteio deixou uma criança morta e um policial ferido na Favela Camarista Méier, no Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio, na tarde de terça-feira. Vanessa dos Santos, de 11 anos, morreu após ser baleada na cabeça durante um tiroteio na Camarista Méier. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a vítima chegou morta ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. No hospital, o clima era de revolta e tristeza entre os familiares. Ao saber da morte de Vanessa, a mãe e a tia da criança passaram mal e precisaram ser amparadas em cadeiras de roda. A avó da criança, Maria Socorro dos Santos, comentou o ocorrido. "Ela tinha voltado da escola e estava em casa. A madrinha pediu que ela saísse da porta, por conta do tiroteio. Foi o momento em que ela foi baleada, caiu e foi socorrida pela madrinha. Ela estava respirando até chegar aqui no hospital. Ela era uma boa menina, só ia para escola, gostava de estudar. Há cinco anos, o tio dela também morreu baleado na cabeça, do mesmo jeito", contou, entre lágrimas. O irmão de Vanessa, Ygor dos Santos, disse que a familia está indignada. "Ninguém tinha ouvido falar de operação, a polícia chegou atirando. E eu vi minha irmã caindo no chão na hora", disse. "Minha filha estava botando o chinelo para sair e foi morta. Não tem bandido na minha casa. A comunidade é um lugar tranquilo. Não era para ter acontecido isso", contou a mãe de Vanessa, Adriana Maria dos Santos.

A madrinha, Regineide, que estava presente no momento do tiroteio, chegou coberta de sangue à emergência do hospital e relatou o ocorrido: "Os policiais pediram para entrar na casa, a Vanessa estava na porta, se preparando para sair, quando ouvi os tiros. Pulei em um valão atrás da casa, para me proteger, e quando voltei vi minha afilhada caída no chão". Foi ela quem socorreu a menina: "Fiz um escândalo, gritei para os policiais que eles haviam matado a Vanessa. Eles nos levaram para o hospital em uma viatura, ela veio no meu colo", relatou, chorando. O pai da menina, Leandro Monteiro de Matos, também disse acreditar que ela tenha sido morta por policiais. "Não existe isso de bala perdida. Espero que o policial que fez isso tenha ao menos um pouquinho de arrependimento e que pague pelo que fez", declarou.


Moradores incendiaram objetos em protesto.

Ainda não há informações sobre a data e local de enterro de Vanessa.
O subcomandante da UPP também ficou ferido no ombro e encaminhado ao Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins. Ele foi operado e passa bem. Em protesto, moradores incendiaram objetos próximo à Rua Maranhão, que foi interditada. De acordo com o comando da UPP, policiais em patrulhamento foram atacados a tiros por criminosos, dando início ao confronto, no sub-bairro Boca do Mato, ao final da Rua Aquidabã.

Moradores relataram ter ouvido sons de disparos desde as 16:00hs., e visto trânsito intenso de viaturas de polícia, bombeiros e uma ambulância. Em nota, a UPP informou que o Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) e outras UPPs da região reforçam o policiamento na comunidade.

Reportagem da estagiária Nadedja Calado, com supervisão de Thiago Antunes.
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