quarta-feira, 5 de julho de 2017

PF cumpre mandados em operação contra desvios no transporte público.

Ação é um desdobramento da Operação Ponto Final, a qual prendeu 
o empresário Jacob Barata Filho no Galeão na segunda-feira.


Lava Jato busca empresários de ônibus do Rio envolvidos em esquema de propina.

O DIA

Rio - A Polícia Federal cumpre, na manhã desta quarta-feira, três mandados de busca e apreensão e condução coercitiva durante uma operação contra desvios no transporte público do Rio. A ação é um desdobramento da Operação Ponto Final, a qual prendeu dez pessoas ligadas ao setor na segunda-feira. Na ocasião, o empresário Jacob Barata Filho também foi detido no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, enquanto tentava embarcar para Portugal. Um dos mandados foi cumprido na Rua Alberto de Campos, em Ipanema, na Zona Sul, por volta das 06:30hs. Segundo as investigações, empresários são acusados de desviar pelo menos R$ 500.000.000,00. O crime ocorria durante o governo de Sérgio Cabral, que está preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, desde novembro do ano passado, e foi condenado a 14 anos de cadeia. As investigações da PF e do Ministério Público Federal (MPF) apontam ainda que, além dos empresários, o esquema envolvia políticos, agentes públicos e responsáveis por fiscalizar os transportes.

Juiz bloqueia R$ 520.000.000,00 de federação e empresas de transportes.
O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, determinou o bloqueio de até R$ 520.300.000,00 da Federação das Empresas de Transportes do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). Também determinou o bloqueio de igual valor dos maiores empresários de ônibus do estado, bem como de empresas que eles possuam ou sejam sócios. A medida, divulgada na terça-feira, foi pedida pelo Ministério Público Federal (MPF) a Bretas, que deferiu o pleito na totalidade. O juiz também decidiu pelo sequestro de imóveis, veículos, barcos e até aeronaves dos envolvidos na Operação Ponto Final, deflagrada na segunda-feira, que desbaratou um antigo esquema de pagamento de propina das empresas a políticos e que levou vários desses empresários à cadeia. “Determino o sequestro/arresto dos bens móveis e imóveis dos investigados e das pessoas jurídicas a eles vinculadas nos termos requeridos pelo MPF”, decidiu Bretas no processo, que investiga o pagamento milionário de propina por parte das empresas e da Fetranspor, com objetivo de praticarem tarifas mais altas, ao longo de anos, lesando os passageiros.

Foram citados na decisão, com bloqueio individual de R$ 520.300.000,00, os seguintes envolvidos: José Carlos Reis Lavouras, Empresa de Transporte Flores Ltda., JCRL Participação e Administração de Bens Ltda., Atlântico Participações e Empreendimentos Ltda., JAL Empreendimentos e Participação Ltda., Miriam Minas Rio Automóveis e Máquinas S./A., New Way Administração de Bens Próprios Ltda., Jacob Barata Filho, Guanabara Diesel Comércio e Representações S./A., Alpha Participações S./A., Catobira Administrações de Bens Ltda., GH Guanabara Holding Participações Ltda.

O advogado Marcelo Carpenter, que defende a Fetranspor, considerou que a decisão de Bretas pode inviabilizar o sistema de ônibus do Rio. Ele disse que vai entrar, nesta quarta-feira, com um pedido de reconsideração da decisão do magistrado. “Acredito que o juiz Bretas não tenha sido alertado da gravidade da decisão. Se ela for levada a cabo, pode provocar o colapso do sistema”.

Com informações da Agência Brasil
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