quinta-feira, 27 de julho de 2017

Lava a jatos irregulares se espalham em outros bairros.

Por um lado, o comportamento de cariocas contribui para essa degradação, mas especialistas apontam que o abandono e a falta de conservação de espaços públicos tornam o problema ainda maior.


Lavadores chegaram a montar um local de
espera para clientes na calçada, que tem até sofá.
O DIA

Rio - Lava a jatos irregulares brotando nas ruas e mais de uma tonelada de lixo sendo depositada em reservatório d’água de uma comunidade da Zona Sul são apenas retratos recentes da desordem urbana que assola a cidade. Por um lado, o comportamento de cariocas contribui para essa degradação, mas especialistas apontam que o abandono e a falta de conservação de espaços públicos tornam o problema ainda maior. Depois de inúmeras fiscalizações da prefeitura no combate aos lava a jatos clandestinos na região da Mangueira, o serviço ilegal ampliou os espaços que ocupa nas ruas do Jacaré e entorno. Ontem, O DIA flagrou a lavagem irregular de veículos em três pontos do bairro. Embaixo do viaduto José Alves de Morais, tendas foram montadas para oferecer o serviço. Na saída do Túnel Noel Rosa, carros faziam fila pela limpeza a partir de R$ 5,00. Na rua São Paulo, parte de uma faixa da via foi isolada por cones de trânsito para o andamento do trabalho. Nesse trecho, mesas, TV e até sofás ocupam a calçada.

A Prefeitura alegou que ainda não tem conhecimento desses serviços na região do Jacaré. Segundo o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU), Jerônimo de Moraes, o poder público falha quando o assunto é infraestrutura e manutenção dos espaços públicos. “O abandono do Estado facilita a ocupação de ambulantes, lava a jatos e flanelinhas, que na maior parte das vezes, estão ali por motivos justos, a luta pela sobrevivência”. Ele acrescenta que a prefeitura possui projetos de urbanismo, mas é necessário novos investimentos para que a população cuide melhor da cidade. “O prefeito anterior fez obras na Praça Mauá, uma revitalização que beneficia a população até os dias de hoje. O governo atual tem três anos e meio de mandato. É tempo suficiente para fazer melhorias”, completou Jerônimo.


Viaduto José Alves de Morais também é reduto de lavagem irregular.

Na tentativa de eliminar de vez os lava a jatos da Mangueira, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) realizou duas grandes operações para remoção do serviço ilegal na Avenida Radial Oeste e Rua Visconde de Niterói. Vinte e dois lava a jatos foram desmontados. Desde o dia 14 de julho, a Guarda Municipal passou a multar motoristas que insistem em parar na região. Até ontem, 152 veículos foram autuados. A aplicação das multas foi uma das soluções encontradas pela Seop para desarticular o esquema que além de ocupar indevidamente calçadas e parte das vias, atrapalhando o trânsito, se mantém com a prática de crimes como o furto de água e de energia elétrica.

Muito mais lixo do que água
Brinquedos, sapatos, roupas, garrafas pet, restos de canos de obras e até fraldas. Tudo isso foi o que uma equipe da Cedae encontrou dentro do reservatório de água da comunidade do Cantagalo, em Ipanema, após denúncia de moradores. Segundo funcionários que participaram da limpeza, foi retirada uma tonelada de lixo do local. A água suja ia para as 30 mil pessoas que vivem no Cantagalo.

Devido à sujeira, há relatos de pessoas que sofreram com diarreia, vômito e dor no estômago após ingerir a água. O reservatório, localizado na Igrejinha, teve que ser totalmente esvaziado. A associação de moradores chegou a pedir que as pessoas parassem de beber água. “Fazem (os moradores) isso de maldade. Abrem a tampa e jogam lixo lá. Infelizmente, muitos estavam bebendo dessa água”, declarou a presidente da associação de moradores, Deize Carvalho.

Reportagem dos estagiários Rafael do Nascimento eMatheus Ambrósio, sob supervisão de Angélica Fernandes

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