quarta-feira, 7 de junho de 2017

Vice-procurador defende que chapa Dilma-Temer seja cassada 'como um todo'.

Para ele, as provas colhidas durante o processo mostram que 
houve 'abuso político e econômico' na campanha de 2014.


ESTADÃO CONTEÚDO

Brasília - O vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, defendeu na terça-feira que há elementos para a chapa formada pela ex-presidente Dilma Rousseff e pelo presidente Michel Temer seja cassada "como um todo" pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para ele, as provas colhidas durante o processo mostram que houve "abuso político e econômico" na campanha de 2014 e que a análise de provas orais e documentais, compartilhados da Lava Jato e do Supremo Tribunal Federal, evidenciam que a Odebrecht destinou recursos de caixa 2 para a chapa Dilma-Temer.

Dino defendeu, portanto, que a preliminar apresentada pela defesa da petista de que o objeto do julgamento teria excedido a acusação inicial não deveria ser levada em consideração e que há confusão entre o que seria fato novo e provas que surgiram no caminho. Para o vice-procurador-geral eleitoral, o valor de R$ 150.000.000,00 que Marcelo Odebrecht disse que doou à chapa "seria por si só forte evidenciador de abuso de poder econômico". Ele também afirmou que o marqueteiro João Santana e sua mulher Mônica Moura declararam que prestaram serviços financiados com R$ 35.000.000,00 da Odebrecht via caixa 2 e que houve efetivamente um depósito de R$ 20.000.000,00 pagos à conta de Mônica Moura em agosto de 2014. Ele comentou ainda o caso da doação feita pela Cervejaria Petrópolis, ligada à Itaipava, que teria vindo da Odebrecht, e que representaria "uma espécie de terceirização de caixa 2, ou caixa 3, ou barriga de aluguel". Para ele, isso evidencia a "espúria relação entre setor empresarial e partidária", que vivem em "harmoniosa simbiose em troca de benefícios vultuosamente monetarizados".


Separação
Dino também defendeu que não deve haver a separação da chapa e que tanto Temer quanto Dilma devem ser cassados. Ele, no entanto, afirmou que a ex-presidente "tinha conhecimento dos fatos configuradores de abuso" e que, por isso, ela, que não está mais na Presidência, deve ser punida com a inelegibilidade

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