segunda-feira, 26 de junho de 2017

Policiais civis vendiam informações para traficantes em troca de propina.

Agentes recebiam entre R$ 1.500,00 e R$ 11.000,00 por semana de várias comunidades do Rio.


Em entrevista coletiva na manhã desta segunda, Polícia Civil
divulgou balanço da segunda fase da Operação Network.
O DIA

Rio - A Polícia Civil deflagrou na manhã desta segunda-feira a segunda fase da Operação Network, na qual investiga a venda de informações sigilosas por policiais civis à traficantes da Cidade de Deus, Vila Aliança, Cidade Alta e todo o Complexo da Maré. Segundo a investigação, os pagamentos variavam entre R$ 1.500,00 a R$ 11.000,00 semanais. De acordo com a polícia, 10 mandados de prisão estão sendo cumpridos e, até o momento, cinco pessoas ligadas ao esquema já foram presas, acusadas de lavagem de dinheiro. Segundo a corregedoria da Polícia Civil, os policiais Renato Ville Cardoso e Carlos Augusto Farnochi informavam membros de facções criminosas, em especial ao Terceiro Comando, onde seriam realizadas operações da Delegacia de Combate à Droga (Decod). Ambos estão foragidos. Delegado assistente da Decod, Vinícius Domingo destacou a eficácia do esquema: "É a maior rede de informações já desbaratada no Rio de Janeiro. Essa era uma estrutura muito sofisticada. Eles sabiam das operações e passavam as informações rapidamente para os traficantes daquela localidade. Isso além de evitar prisões e apreensões colocava em risco a vida dos policiais civis. Os bandidos ao invés de fugirem atacavam os policiais com material bélico", disse.

Diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada, Marcelo Martins enfatizou que o trabalho para prender os criminosos e desfazer o esquema continuará sendo feito: "Doa a quem doer, vamos cortar na carne viva. Vai ser investigado, identificado e entregue à Justiça. Pessoas que agem assim são marginais com distintivo. O trabalho será feito", afirmou.


Fabio Fernandes Vila Real (E), conhecido como Parrudo e
o policial civil Carlos Augusto Farnochi, que está foragido.

Atualmente, Carlos estava lotado na Delegacia de Atendimento ao Idoso e Terceira Idade (Deapti). Já Renato trabalhava na 16ª DP (Barra da Tijuca). "É triste e preocupante quando isso acontece", disse o delegado assistente da DCOD, Vinicius Domingos.

A ação realizada nesta manhã é um desdobramento de uma operação contra o tráfico de drogas que prendeu o traficante Gilson Ramos da Silva, o Aritana, em janeiro deste ano. Através de depoimentos, o bandido revelou o esquema para a polícia, que abriu investigação e constatou o envolvimento de policiais civis no caso.


Carlos Augusto Farnochi (à esq., de boné branco)
e Renato Ville Cardoso (à dir.) estão foragidos.

No mês passado, a DCOD fez uma operação e foram presos os traficante Fabio Fernandes Vila Real, conhecido como Parrudo e o dono da loja TH Joias e Thiego Raimundo dos Santos Silva. Os dois, segundo as investigações, são o "braço financeiro" da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). À época, a especializada cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 34 de busca e apreensão em vários bairros da cidade, apreendendo veículos de luxo — incluindo um carro de luxo avaliado em R$ 500.000,00 — joias, dinheiro, celulares, computadores e documentos. A Justiça também determinou o sequestro de dois imóveis e o bloqueio de contas bancárias. Os valores arrecadados com as apreensões totalizam cerca de R$ 5.000.000,00.

A Polícia Civil solicitou junto ao Ministério Público que o dinheiro retorne ao Estado para ajudar os serviços das delegacias especializadas.

Reportagem do estagiário Rafael Nascimento, sob supervisão de Cadu Bruno
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