quarta-feira, 28 de junho de 2017

Polícia cumpre mandados contra ladrões de cargas que mataram seguranças no Arco.

Operações ocorrem na Pedreira, Costa Barros, e na Favela do Guandu, 
em Japeri, que fica às margens do Arco Metropoliano, local dos crimes.


Câmera do veículo com a carga de cigarros roubada captou os
criminosos armados com fuzil em carro no Arco Metropolitano.
ADRIANO ARAÚJO

Rio - A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio (MPRJ) e a Polícia Militar realizaram operações nos complexos da Pedreira e Chapadão, em Costa Barros, e na Favela Parque Guandu, em Japeri, na Baixada Fluminense, além de outras comunidades, para cumprir 21 mandados, de prisão e de busca e apreensão, contra criminosos que roubam cargas no Arco Metropolitano. Entre os procurados estão os autores das mortes de três vigilantes na rodovia que escoltavam cargas de cigarros, em fevereiro e maio deste ano. Até o início da tarde, quatro tinham sido presos, além de um adolescente apreendido.⁠⁠⁠⁠ Um dos presos é Jefferson Targino da Silva, conhecido como Targino, de 31 anos, líder do roubo de cargas na região do Complexo do Chapadão. Ele era procurado pela Polícia Federal (PF) e foi levado para a carceragem da PF, no Centro. De acordo com as investigações, ele era gerente e articulava equipes, que prestavam contas a ele. Ele não tinha antecedentes criminais. A prisão foi possível através do compartilhamento de informações através do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). Os demais presos foram levados para a Cidade da Polícia, em Benfica. Segundo a polícia, novas prisões podem acontecer.

Entre os procurados está Breno da Silva Souza, chefe do tráfico do Guandu, entre outros criminosos desta favela e da Pedreira, do Chapadão, Juramento e da Comunidade Beira-Rio, na Pavuna. Também participam da operação, chamada "Conexão Guandu", agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) e de outras especializadas, além de policiais militares dos batalhões de Choque (BPChq), de Ações com Cães, e do 41º BPM (Irajá), que está no complexo da Pedreira, onde um suspeito morreu.

No Complexo da Pedreira, os policiais apreenderam uma submetralhadora, quatro pistolas e uma grande quantidade de drogas que ainda não foram contabilizadas. Cargas de caminhões — como pneus, biscoitos, TVs de LCD — foram recuperadas durante a operação na comunidade, além de celulares e seis veículos — três carros e três motos — que haviam sido roubados. Os agentes também tentam cumprir mandados por crimes de tráfico e homicídios. "Hoje vimos um episódio de manifestação dos caminhoneiros preocupados com o aumento dos números de roubos de carga no município. Foi através da PM que prendemos um dos maiores mandantes deste tipo de crime. A operação foi resultado da unificação das forças policiais", explicou Marcelo Prudente, delegado da Polícia Federal. A PF entrou na operação devido aos roubos frequentes de caixas eletrônicos e agências dos Correios: "Existe uma nova modalidade de financiar o tráfico", afirmou o delegado.

A Secretaria Esadual de Segurança Pública informou que vai modificar a partir desta quarta-feira, as formas de atuação dos homens da Força Nacional nas áreas com maior índice de roubos. O planejamento leva em consideração a mancha criminal. "Será mais dinâmica , além de atender mais de uma região", afirma Rodrigo Alves. "Terá aumento do efetivo, que passam por treinamentos de capacitação no CORE. Amanhã cerca de 600 estarão empenhados. Antes, 420 faziam patrulhamento na Alerj e na Guanabara", conclui.

Roubos no Arco Metropolitano.
Segundo as investigações, os crimes no Arco Metropolitano ocorreram sempre no mesmo horário, por volta das 09:00hs. Em 17 fevereiro, os três carros com seis vigilantes que escoltavam a carga de cigarros da Souza Cruz foi interceptado por dois veículos com 11 criminosos armados, que atiraram contra os seguranças.


Imagem de câmera mostra criminoso na ação que matou o 
vigilante que escoltava carga de cigarros, em fevereiro deste ano.

Após a ação, o vigilante Yago Aguiar Santana acabou morto e os assaltantes escoltaram o caminhão onde estava a carga roubada, conforme foi captado pela câmera do veículo da empresa, que também flagrou a movimentação dos bandidos. Ela foi recuperada horas depois.

Em maio, apenas um carro, um Spin, com três vigilantes, fazia a escolta da carga, quando foi surpreendido por 14 assaltantes em outros três veículos. Os criminosos fortemente armados, inclusive de fuzis, atiraram do porta-malas de um dos carros, matando Jones de Souza e Silva, de 28 anos ainda no local. Benedito Charles da Silva, de 46 anos, morreu no hospital da Posse, em Nova Iguaçu, horas depois, enquanto Reginaldo dos Santos Aragão, de 31 anos, teve ferimento na cabeça, costas e na mão direita, mas sobreviveu.


Carga de biscoitos recuperada no Complexo da Pedreira durante operação 
para prender envolvidos em roubo de cargas no Arco Metropolitano.

Após o roubo, o motorista do caminhão foi obrigado a entrar em uma estrada de terra, onde foi feita a transferência da carga de cigarros para outro caminhão da quadrilha que aguardava no local. A movimentação foi registrada pela câmera do veículo roubado.

Os presos e apreendidos serão levados para a Cidade da Polícia, no Jacaré. Eles serão interrogados para fornecer informações que ajudem na continuidade das investigações. Na comunidade do Guandu foram apreendidos dois veículos identificados como de uso da quadrilha para os roubos.


Câmera flagra os criminosos em área de mata, onde 
carga roubada foi transferida para outro veículo.
Mais de 7 mil alunos sem aulas.
Alunos de escolas do município do Rio estavam sem atendimento na terça-feira por conta de operações policiais. No total, são oito escolas, seis creches e 10 Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI) fechadas, atingindo 7.433 crianças e adolescentes no período da manhã, inclusive nas comunidades do Juramento, Pedreira, Parque Silva Vale e Lagartixa, alvos da operação integrada da PM e Polícia Civil.

Além delas, alunos de escolas localizadas nas comunidades do Complexo do Alemão e Praça Seca estão sem aula por conta de tiroteios. As unidades localizadas na Maré, Complexo do Lins e na comunidade Jorge Turco estavam funcionando na manhã de terça-feira, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação.

Colaborou o estagiário Matheus Ambrósio.
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