quinta-feira, 8 de junho de 2017

Após confusão, projeto que prevê fim da dupla função de motoristas não é votado.

Rodoviários atiraram bolinhas de papel no vereador Leandro Lyra, que 
apresentou substitutivo. Seguranças intervieram e sessão foi encerrada.


Rodoviários lotaram a Câmara para pressionar
aprovação do projeto que proíbe acúmulo de funções.
GUSTAVO RIBEIRO

Rio - O Projeto de Lei 1298-A/2007, que prevê a proibição de motoristas de ônibus acumularem a função de cobrador, foi suspenso da pauta da Câmara Municipal na quarta-feira. A sessão foi encerrada depois que o vereador Leandro Lyra (Partido Novo) apresentou um substitutivo defendendo, em vez do retorno dos cobradores, o estímulo à bilhetagem eletrônica. Os rodoviários que lotaram as galerias da Casa se revoltaram. Houve gritaria, xingamentos e 'guerra' de bolinhas de papel. Segundo o autor do projeto, vereador Reimont (PT), o substitutivo de Lyra prevê a extinção dos postos de trabalho dos cobradores. "Ele quer fazer a automação do sistema (estimulando o uso do bilhete eletrônico no embarque) e colocar todos os cobradores na rua", disse Reimont. O PL, que seria votado em segunda e última discussão nesta quarta, foi aprovado com unanimidade em primeira discussão no dia 18 de abril.


O vereador Leandro Lyra esclareceu que concorda com o fim da dupla função, mas sua proposta é, em vez de recontratar os cobradores, estimular o uso da bilhetagem eletrônica. A ideia dele é que as empresas de ônibus ofereçam desconto na tarifa para quem tiver o cartão na hora do embarque. Com isso, os motoristas seriam poupados de ter que receber a passagem e dar troco. O valor do desconto seria definido pela prefeitura. "Entendo que a dupla função prejudica a qualidade do transporte, mas, diferente do projeto original, vejo como saída estimular o bilhete eletrônico. Com menos dinheiro embarcado, vamos ter um transporte público mais seguro, com menos incentivo para assaltos. A bilhetagem também propicia um tempo de embarque menor. Além disso, gera um transporte mais transparente, porque quando se tem tudo registrado eletronicamente a sonegação e a lavagem de dinheiro são dificultadas", defende Lyra. "O mundo inteiro trabalha nessa linha. A bilhetagem eletrônica disponibiliza muito mais dados para permitir a gestão inteligente do transporte público na cidade. A forma de estimular a bilhetagem é dar desconto. Em Florianópolis é assim", acrescentou.

Autor vai tentar adiar discussão
De acordo com o Sindicato de Motoristas e Cobradores do Rio (Sintraturb Rio), mais de 200 rodoviários estavam presentes. O substitutivo apresentado gerou revolta por parte dos rodoviários, com gritaria e xingamentos. Os motoristas e cobradores presentes atiraram bolinhas de papel em Lyra. Os seguranças precisaram intervir e o presidente da Casa, Jorge Felippe (PMDB), encerrou a sessão. "A Câmara quase veio abaixo", contou uma assessora parlamentar.


Reimont afirmou que o projeto deve ser anunciado na sessão desta quinta-feira (8), mas ele vai articular pelo adiamento da discussão. "Aí a gente ganha tempo para fazer reuniões internas a fim de mobilizar a Câmara e a categoria", informou. "É um projeto aprovado com unanimidade, mas sempre tem um camarada que está à disposição dos empresários", criticou. Já Leandro Lyra informou que o substitutivo será apreciado pelas comissões da Câmara e só depois a discussão deve voltar ao plenário.

Sindicato pleiteou garantia dos postos de trabalho
Como o DIA publicou em abril, o Sintraturb contestava os efeitos do projeto original para a categoria. À época, o presidente da entidade, Sebastião José, criticou que o texto não previa a recontratação dos cobradores e a manutenção dos existentes, mas que apenas se referia à proibição de motoristas darem troco. Assim, ele temia que os profissionais pudessem ser substituídos, obrigando o passageiro a apresentar o cartão eletrônico no embarque. O sindicato convenceu o vereador Reimont que o projeto fosse votado na quarta com uma emenda que garantisse a recontratação de cobradores para os ônibus em que a dupla função ocorre. "Ele topou a emenda e colheu as assinaturas com antecedência. Mas ontem apareceu um substitutivo com 18 assinaturas, e o projeto não foi votado. Lamentavelmente fomos derrotados pelo 'esquemão'", disparou Sebastião José.

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