segunda-feira, 8 de maio de 2017

Professor relata ter sido espancado por torcedores no Méier.

De acordo com a vítima, ataque começou dentro de um vagão 
de trem e terminou na saída da estação na noite de domingo.


Fernando Mendes Lima, de 35 anos, contou que foi agredido por torcedores.
O DIA

Rio - O professor de inglês Fernando Mendes Lima, de 35 anos, contou que foi espancando três vezes por, pelo menos, 11 pessoas da torcida do Flamengo e Fluminense, por volta das 19:00hs., de domingo, após o jogo no Maracanã. As agressões aconteceram na estação da Supervia do Méier, na Zona Norte do Rio. O ataque, segundo ele, começou dentro do vagão e terminou na saída da estação. A vítima contou que apanhou após reclamar com um homem que arrancou das mãos dele o guarda-chuva que ele carregava. Fernando não estava no Maracanã e nem vestido com camisa de time. Ele pegou o trem após sair da Quinta da Boa Vista com a namorada, que embarcou minutos antes das agressões no Metrô. Ele foi atendido no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, onde foi diagnosticado com um derrame olho, galos na cabeça e escoriações pelo corpo. O professor iria registrar queixa hoje, à tarde, na 23ª DP (Méier). "Graças a Deus eu não sofri nada grave. Estou tomando remédios e estou com dores pelo corpo", disse ele. Fernando contou que estava desembarcando, no Méier, quando teve o guarda-chuva arrancado por um torcedor com a camisa do Flamengo. Ao reclamar, começaram as agressões que tiveram a participação de outros flamenguistas. "Tomei o primeiro soco. Após eu cair, vieram mais outros homens. Eram pelo menos uns sete, eu acho. Protegi a minha cabeça e apenas senti os chutes, socos e pontapés", conta a vítima. Depois da primeira agressão, ele contou que se dirigiu até à saída da estação onde foi abordado, novamente. Dessa vez, por quatro pessoas com a camisa do Fluminense que perguntaram se ele havia sido "juntado" pela torcida adversária. Ele disse que não queria se envolver com torcida. Foi, então, que começou nova discussão e mais uma sessão de espancado. "Os quatro, vieram para cima de mim. Me bateram, mas eu saí e continuei andando. Mas, veio um e me deu um soco por trás. Como ele estava sozinho, consegui sair e vir para a minha casa", contou Fernando.

Ele acusa a Supervia de não disponibilizar segurança nas estações. "Gritei, pedi ajuda. Em vão. Não havia nenhum guarda naquela estação", relata Fernando. Com medo, a vítima diz que pretende evitar embarcar nos trens. "Até quando pessoas continuaram sendo espancadas no trem?", perguntou.

Em nota, a SuperVia informa que, até o momento, não foi oficialmente comunicada sobre um passageiro agredido por torcedores na estação Méier, após a final do Campeonato Carioca, mas que vai apurar o ocorrido. A concessionária ressalta ainda que, durante todo o dia de ontem, a estação Méier contou com a presença de agentes de controle, profissionais treinados para orientar e auxiliar os passageiros, além de acionar o policiamento quando necessário, já que não têm poder de polícia.

A empresa repudia ações como esta e destaca que a segurança pública é uma atribuição do governo estadual, que atua por meio do Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPfer) e do Grupamento Especial de Policiamento nos Estádios (Gepe).

Reportagem do estagiário Rafael Nascimento
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