terça-feira, 2 de maio de 2017

Pelo menos 40 são detidos e mais de 30 fuzis são apreendidos na Cidade Alta

"É espantoso o número de fuzis apreendidos. Isso mostra a facilidade com 
que circulam no país e entram aqui no Rio", diz porta-voz da Polícia Militar.


Mais de 30 fuzis foram apreendidos pela PM na Cidade Alta,
em Cordovil, e em Parada de Lucas. Quarenta pessoas foram detidas.
JONATHAN FERREIRA

Rio - A Polícia Militar apreendeu 32 fuzis, quatro pistolas e 11 granadas durante a operação na Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. Na ação, 45 pessoas foram detidas suspeitas de participação na guerra entre facções para tomar o controle do tráfico na região. O número de armas de grosso calibre impressionou o porta-voz da corporação, major Ivan Blaz.


"É espantoso o número de fuzis apreendidos. Isso mostra a facilidade com que eles circulam no país e entram aqui no Rio de Janeiro. Não é atribuição da Polícia Militar fazer o controle dessa circulação e nem coibir a entrada no estado", disse Blaz.

Três policiais militares ficaram feridos por estilhaços na Favela Kelson's, na Penha, e três suspeitos foram baleados na Cidade Alta, sendo levados para o Hospital Getúlio Vargas, também na Penha. A Polícia Militar fez as operações através do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), do 16°BPM (Olaria) e do 22°BPM (Maré), que estiveram na região da Cidade Alta. Em Parada de Lucas, policiais do Batalhão de Ações com Cães (BAC) participaram da ação e dois dos fuzis apreendidos foram encontrados na comunidade.


Ação orquestrada pelo Comando Vermelho
O porta-voz da PM, major Ivan Blaz, disse que a ordem de queimar veículos na Avenida Brasil, rodovia Washington Luiz e em vias próximas partiu de traficantes das favelas Nova Holanda, na Maré, da Kelson's, na Penha, e do Parque das Missões, em Caxias. Pelo menos oito ônibus e dois caminhões foram incendiados. Os incêndios foram em represália à operação ocorrida na Cidade Alta, após a tentativa de invasão do Comando Vermelho à favela, hoje controlada pela facção Amigo dos Amigos (ADA). Não se sabe se os criminosos obtiveram êxito em tomar a comunidade, vista como estratégica pelos traficantes. "Essa guerra pela Cidade Alta ocorre porque ela está num ponto estratégico, perto de rodovias, vias expresas e de fácil acesso a outras comunidades da Zona Norte", disse Blaz.


Nas redes sociais, quem mora região relatou o tiroteio na favela, que tem sido palco de intensas guerras entre facções. "Terceira guerra mundial está acontecendo na Cidade Alta", escreveu um morador. Esta é pelo menos a quarta guerra de facções ocorrida na Cidade Alta nos últimos seis meses, com cinco pessoas mortas, entre elas dois moradores da comunidade e que não tinham envolvimento com o crime. Pelo menos outras quatro pessoas ficaram feridas a tiros, três fuzis foram apreendidos e seis pessoas presas.


Em fevereiro, o apelo dos moradores também era pela paz e tranquilidade na favela. "Jesus Cristo!! Quase duas horas de confronto. O que será de nós Senhor. Tenha misericórdia", escreveu uma moradora. "Nós só queremos paz na nossa comunidade", pediu uma jovem.


"São mais de duas horas de tiroteio, isso é inadmissível, estamos na beira da Avenida Brasil", desabafou na época um morador que preferiu não se identificar, revelando que passou grande parte da manhã debaixo da cama por causa dos tiros.


Fotos enviadas pelo Watsapp O Dia (98762-8248) e Divulgação.
Colaborou Adriano Araujo
http://odia.ig.com.br