terça-feira, 16 de maio de 2017

É muito triste o que está acontecendo no Rio', afirma Pezão após ter apartamento invadido.

Homens levaram do imóvel garrafas de uísque e camisa autografada do Botafogo.


POR GISELLE OUCHANA / VERA ARAÚJO 

RIO — É muito triste o que está acontecendo com o Rio — disse o dono de um apartamento arrombado, semana passada no Leblon, antes de acrescentar que a mulher dele está muito abalada com o crime. A frase, que poderia ser apenas o desabafo de mais uma vítima da violência no estado, revela mais do que indignação. Mostra também o alcance da criminalidade no Rio. O imóvel assaltado na última quarta-feira pertence ao governador Luiz Fernando Pezão. A identidade do proprietário e a presença permanente de uma patrulha da PM na esquina da Rua Rainha Guilhermina, onde fica o prédio, não foram suficientes para intimidar os quatro homens que invadiram o local e levaram duas garrafas de uísque, uma manta, uma maleta vazia e uma camisa do Botafogo autografada por Carlos Alberto Torres, o capitão do tricampeonato da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970, que morreu ano passado. — (A camisa) era o bem mais valioso, tinha a assinatura do Carlos Alberto Torres. É muito triste o que está acontecendo com o Rio. Estou tentando obter, com o governo federal, a contratação de quatro mil policiais militares que passaram no último concurso. A gente sabe que tem de reforçar a segurança — disse Pezão ontem. — Sou uma pessoa comum, não tinha nada de valor no apartamento.

O apartamento estava vazio no momento do furto. Desde que voltou de licença médica, em novembro do ano passado, Pezão passou a morar no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Estado, para ficar mais próximo do Palácio Guanabara, sede administrativa do governo. Apesar de não morar mais no imóvel, foi a primeira-dama, Maria Lúcia Horta Jardim, quem constatou que o apartamento havia sido invadido. Quando abriu a porta da frente, ela percebeu que a luz do escritório estava acesa. Como a irmã dela mora no mesmo prédio, Maria Lúcia saiu correndo para pedir ajuda. Ligou para a segurança do Palácio Guanabara e, em seguida, o filho dela, Roberto, registrou ocorrência na 14ªDP (Leblon). — Maria Lúcia está muito abalada. Ela não gosta de dormir no Palácio Laranjeiras, quando eu não estou com ela — comentou o governador.

Dois dos bandidos foram presos no dia seguinte ao furto, justamente no momento em que tentavam entrar em uma outra residência, na Tijuca. Tudo que levaram do apartamento do governador foi recuperado. De acordo com a Polícia Civil, os assaltantes são integrantes de uma quadrilha paulista especializada em furtos a residência. Eles não saberiam que o apartamento era do governador e decidiram entrar no prédio por considerá-lo vulnerável. As primeiras informações sobre o roubo davam conta de que teriam sido levados computadores, mas a versão não foi confirmada pela polícia.

MORADORES RECLAMAM DE INSEGURANÇA
Essa é a segunda vez que o apartamento de Pezão no Rio é invadido. Em abril de 2012, quando ele era vice-governador de Sérgio Cabral, criminosos levaram joias e outros pertences. Na ocasião, Pezão estava de férias na Itália. Na região, moradores comentavam nesta segunda-feira sobre a invasão e diziam que a sensação de insegurança no bairro, que tem tido restaurantes e bares atacados, é grande. — Assusta. Se a casa do Pezão foi assaltada, a de qualquer outro cidadão pode ser — disse uma babá, que passa pela Rua Rainha Guilhermina todos os dias.

Devido à onda de violência, empresários do Leblon pretendem financiar um sistema de segurança, com 45 policiais, para reforçar o policiamento do bairro. Segundo a presidente da Associação Comercial do Leblon, Evelyn Rosenzweig, o projeto está orçado em R$ 10.000.000,00. Dentro de dois meses, também deverá ser implantado o projeto Leblon Seguro, com a instalação de 70 câmeras que vão transmitir imagens em tempo real para o 23º BPM (Leblon).

oglobo.globo.com