segunda-feira, 24 de abril de 2017

Oficial garante que PMs vão deixar casas ocupadas no Alemão, Rio.

Decisão foi anunciada em audiência pública, na Defensoria Pública. Militares 
começam a sair de casas já nesta segunda-feira (24), segundo tenente-coronel.


Por Patrícia Teixeira, G1 Rio

Policiais militares vão deixar as casas de moradores que estavam sendo utilizadas como bases no Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio. O anúncio foi feito pelo subcoordenador de Polícia Pacificadora, tenente-coronel Marcos Borges. De acordo com ele, a saída das residências vai ocorreu já nesta segunda-feira (24). O anúncio do oficial ocorreu durante a audiência pública que reuniu entidades de defesa dos Direitos Humanos, representantes da Polícia Militar e moradores da comunidade no auditório da Defensoria Pública estadual, no Centro do Rio. "O que nos move na UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] é a promoção da paz e preservação à vida. Quando entramos na comunidade, tínhamos uma postura. O que ocorre é que cresceu a criminalidade. Mas posso dizer aqui que a implementação da base blindada está ocorrendo num local em que os policiais eram vitimados. Hoje, se encerra a implementação dessa base e os policiais vão sair das residências", afirmou o tenente-coronel.

Em fevereiro, o G1 mostrou a indignação de pessoas que vivem na comunidade. Na época, entidades de defesa dos Direitos Humanos cobraram providências. Na audiência desta segunda-feira, outros moradores, como o marceneiro Jorge Felix, voltaram a reclamar que tiveram suas casas invadidas pelos policiais e que não podiam voltar às residências. "Depois que minha inquilina saiu da casa, os policiais ocuparam minha residência. A casa foi tomada e virou ponto estratégico da PM, que faz trocas de plantão na laje. Falei com um responsável pela UPP e ele me disse que os policiais só sairiam quando a base central estivesse totalmente pronta", alegou Jorge, que mora na comunidade há 58 anos.

Raull Santiago, representante do coletivo Juntos pelo Complexo, pediu, durante seu discurso, que os policiais militares responsáveis pelas invasões das casas fossem responsabilizados. "Tem que repensar essa polícia, a utilização do dinheiro público. Tentamos por diversas vezes diálogo com as autoridades sobre essas violações e ninguém nos deu respostas. Agora vem um tenente [coronel] e assume que invadiram as casas por conta de estratégias. Por que não prendem ele se isso é ilegal? Está gravado, ele assumiu que fizeram isso e que hoje, talvez amanhã, os policiais saiam das casas. É preciso recuar e pensar novas atuações nas favelas", desabafou Raull.

Na sequência, o comandante da UPP Alemão, major Leonardo Zuma, explicou que, na verdade, "houve estratégia para ocupar o terreno e não as casas""O que aconteceu é que policiais [da UPP] relataram que estavam sendo alvejados com tiros, granadas e sinalizaram que tinham casas vazias e perguntaram se podiam ficar nessas casas. Essa foi uma atitude para proteger nossos policiais. Todos sabiam que essas casas estavam vazias. Legalmente, não houve invasão de domicílio, pois não havia ninguém morando ali naquelas casas", disse o major.

PMs do Bope baleados
Também nesta segunda, enquanto ocorria a audiência pública no Centro, dois policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram baleados no Alemão. Um deles foi baleado na bochecha e, com o impacto, teve alguns dentes quebrados. Apesar dos ferimentos, o estado de saúde do policial era considerado estável. Pela manhã, outro militar, também do Bope, foi baleado na perna. Ele foi socorrido para o Hospital Central da Polícia Militar (HCPM) e o estado de saúde também era estável. Os PMs foram baleados enquanto acompanhavam a instalação de uma cabine blindada no conjunto de favelas. De acordo com a Secretaria de Segurança, "a instalação da cabine é uma iniciativa do comando da corporação, para possibilitar condições de segurança aos policiais que ali trabalham".

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