quinta-feira, 6 de abril de 2017

Jovem que deixou 14 livros codificados e sumiu intriga a polícia e a Internet

Família não acredita em sequestro e diz que Bruno parece ter planejado 
o desaparecimento. Chave para mistério dos livros foi deixada no quarto.


Bruno passou cerca de 30 dias trancado
dentro de seu quarto antes de desaparecer.
O DIA

Rio Branco - Um jovem estudante de psicologia, que está desaparecido desde o dia 27 de março, deixou 14 livros criptografados em seu quarto. Bruno Borges, 24 anos, transformou seu quarto em uma espécie de museu. Nele há uma réplica da imagem de Giordano Bruno, filósofo italiano, vítima da Inquisição, no século XVI. Os códigos usados nos livros foram criados pelo próprio estudante e, segundo a família, o estudo das quatro criptografias foi deixado pelo rapaz em uma pasta. Os pais já convidaram filósofos e historiadores para olhar o material. Mas, ainda não sentiram confiança suficiente para permitir que toda a obra fosse avaliada. Bruno foi visto pela última vez durante um almoço de família às 14:00hs., na cidade de Rio Branco, no Acre. Os 14 livros estão com a Polícia Civil do Acre, que investiga o caso. Um vídeo feito dentro do quarto de Bruno ajudou a história viralizar nas redes sociais. Os pais afirmam que as imagens foram feitas sem o consentimento da família. Segundo a Rede Amazônica, afiliada da TV Globo, toda a mudança no quarto aconteceu durante uma viagem de férias dos pais que durou 24 dias. De acordo com a irmã do rapaz, o jovem mantinha a porta trancada e escondia o que fazia dentro do cômodo. O primo de Bruno, o oftalmologista Eduardo Veloso afirmou ainda à reportagem da Rede Amazônica que deu R$ 20.000,00 a Bruno. O jovem teria pedido o dinheiro alegando ter algo muito importante em que investir e que mudaria a vida das pessoas.


Estudante de psicologia deixou 14 livros com códigos.
Alguns dos livros foram registrados nas paredes do quarto.

O valor teria sido usado para as mudanças no quarto do rapaz. Um dos gastos foi com a estátua do filósofo Giordano Bruno (1548-1600), por quem Bruno tem grande admiração. A obra foi orçada em R$ 7.000,00 e, segundo a reportagem, teria sido levada para dentro da casa quando a família estava fora. Em entrevista, a mãe do rapaz, Denise Borges, não acredita em sequestro. "Ele saiu por conta própria. Ele sabe o que ele fez. A gente tem umas coisas que ele fez quando sumiu que comprovam que foi muito premeditado. Ele não quer ser encontrado agora e, se eu não estiver ficando louca, eu estou respeitando esse tempo dele", declarou a mãe do rapaz.


Giordano Bruno (Nola, Reino de Nápoles, 1548 — Roma, Campo de Fiori, 17 de fevereiro de 1600) foi um teólogo, filósofo, escritor e frade dominicano italiano, condenado à morte na fogueira pela Inquisição romana (Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo Ofício) com a acusação de heresia ao defender erros teológicos. É também referido como Bruno de Nola ou Nolano.

Literatura e filosofia
Introspectivo e leitor voraz, o jovem passou a não comer carne e tinha se tornado adepto do veganismo, estilo de vida que evita consumo de animais e derivados, na dieta ou quaisquer produtos. Os pais acreditam que a mudança foi uma preparação para a obra deixada. "As pessoas me criticam porque estou valorizando muito a obra e não mais o desaparecimento dele. Eu gostaria de encontrar com ele agora e dar um abraço nele", justificou Denise.

O desaparecimento do rapaz já foi informado a todas as forças de Segurança Pública, incluindo Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

Com informações do Estadão Conteúdo
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