quarta-feira, 1 de março de 2017

Funaro pede para depor e se oferece para acareação com Padilha e Yunes.

Doleiro preso na Lava Jato nega ter entregue envelope com dinheiro; ex-assessor de Temer diz que recebeu pacote a pedido do chefe da Casa Civil.


Por Renan Ramalho 
e Luciana Amaral. 
G1, Brasília.

O Economista Lúcio Bolonha Funaro pediu nesta quarta-feira (1º) à Procuradoria Geral da República (PGR) para depor a respeito da acusação de que ele teria entregue um envelope no escritório do amigo e ex-assessor especial do presidente Michel Temer, José Yunes, destinado ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Apontado como operador do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no esquema de corrupção da Petrobras, Funaro está preso em Brasília desde julho do ano passado. Ele é suspeito de operar esquema de propinas na Caixa Econômica Federal junto com Cunha. O episódio do envelope, relatado por Yunes em depoimento à PGR, teria ocorrido em 2014. Segundo o ex-assessor do Planalto, na ocasião, ele recebeu uma ligação de Padilha pedindo que recebesse um envelope em seu escritório de advocacia em São Paulo. Aos procuradores da República, Yunes disse que foi o próprio Funaro que entregou o envelope. O doleiro nega o episódio relatado pelo amigo de Temer tenha ocorrido.

Tanto que, além de pedir para depor na PGR, também se colocou à disposição para uma acareação com Yunes, Padilha e Cláudio Melo Filho, ex-diretor da Odebrecht que disse ter feito o pagamento ao atual ministro da Casa Civil como pagamento de propina. Cláudio Melo Filho afirmou em seu pré-acordo de delação premiada que, em um jantar no Palácio do Jaburu, Temer solicitou ao então presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht pagamento ao PMDB. O valor solicitado, segundo o delator, era de R$ 10.000.000,00. Ainda de acordo com Melo Filho, parte desse dinheiro deveria ser entregue a Padilha. O delator contou que Yunes recebeu em seu escritório, em dinheiro vivo, R$ 4.000.000,00 que seriam a parte que cabia ao atual ministro da Casa Civil do valor acertado entre Temer e Marcelo Odebrecht.

Acareação
No pedido protocolado nesta quarta-feira na PGR, a defesa de Funaro afirma que o objetivo da proposta é “esclarecer a verdade dos fatos manifestamente distorcidos” no depoimento de Yunes. Ao G1, o advogado de Funaro, Bruno Espiñeira, disse que pretende processar o ex-assessor de Temer por calúnia. “Ele [Funaro] jamais entregou envelopes. Isso é uma criação do José Yunes. Aí não sei qual é o endereço, qual a motivação. Isso tem de ser apurado”, enfatizou o defensor.

A Procuradoria Geral da República deve pedir a abertura de um inquérito para investigar Padilha. O pedido de investigação deve ser enviado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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