segunda-feira, 27 de março de 2017

Chico Picadinho será colocado em liberdade até 1º de julho.

Assassino, que cumpre pena há 41 anos, está preso em Taubaté.



Taubaté, 
Do Meon

Chico Picadinho, 74 anos, conhecido nacionalmente pela repercussão dos seus crimes nas décadas de 60 e 70, será colocado em liberdade no dia 1º de julho deste ano. Ele está preso há 41 anos, 11 a mais que o máximo permitido por lei. O caso foi revelado no domingo (26) em reportagem do 'Fantástico', da Rede Globo. A juíza da vara de execuções criminais de Taubaté, Sueli Zeraik de Oliveira Armani, é a responsável por requisitar o pedido de soltura do criminoso. “A permanência dele nesse estabelecimento prisional é arbitrária. Segundo o artigo 75 do Código Penal, ninguém pode ficar preso ininterruptamente por um prazo superior de 30 anos no Brasil e ele já está 40 anos”, disse a magistrada em entrevista ao programa.

Chico Picadinho terminou de cumprir a pena em 1998 na Casa de Custódia de Taubaté. Na época com 56 anos, ele pediu para ser libertado, mas o pedido foi negado pela Justiça. De acordo com matéria do "Fantástico", um exame psiquiátrico feito pela polícia diagnosticou que Chico tem personalidade psicopática, com manifestações sádicas. O criminoso está sendo mantido preso por uma interdição civil solicitada pelo Ministério Público. A medida é aplicada quando a pessoa não é considerada capaz de assumir responsabilidades do dia a dia, mas não é uma condenação criminal, nem motivo para mantê-lo preso.

O Ministério Público apoia a decisão. “Ele é um preso exemplar. Sua dívida para o Estado ele já cumpriu, agora é o momento de colocar ele na rua”, declarou ao Fantástico o promotor Luiz Marcelo Negrini ao Fantástico.

Convívio social
O psiquiatra Charles Kiraly, que trabalhou na Casa de Custódia de Taubaté por 17 anos, afirmou ao Fantástico que Chico ainda é um perigo para a sociedade. “A pessoa que é psicopata vai ser para sempre. Nenhum tipo de tratamento usado até hoje não funcionou. E o legislador deveria ter formas de contenção de pessoas que são antissociais e não podem conviver na sociedade, que elas vão necessariamente cometer crimes terríveis.”

Chico vive hoje sozinho em uma cela e não recebe visitas. Um funcionário relatou que ele convive bem com os outros detentos, trabalha na biblioteca, gosta de ler e pinta quadros. A juíza determinou que ele seja solto de forma gradual, com acompanhamento psicoterápico e, a princípio, acompanhado de um funcionário. A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo será responsável por ajudá-lo a encontrar um lugar para morar. “Ele já está tendo um acompanhamento interno pelo quadro de técnicos que atuam na Casa de Custódia. Fora isso, ele vai ter direito de algumas saídas, inclusive também para acompanhamento psicoterápico. Isso, acompanhado de um funcionário da Casa [de Custódia] no início”, disse a juíza ao Fantástico.

Crimes
Francisco da Costa Rocha entrou para a história após cometer os crimes mais violentos do Brasil à época. Em 1964, ele matou e esquartejou a austríaca Margareth Suida durante uma relação sexual, ficou oito ano na cadeia e foi solto por bom comportamento. Dois anos depois, em 1976, ele matou Ângela da Silva, também durante uma relação sexual. Ele novamente esquartejou a vítima e colocou os pedaços em malas e sacos para se desfazer deles. O assassino acabou sendo preso antes de sumir com o corpo após ser denunciado por um amigo.

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