quarta-feira, 29 de março de 2017

Alerj mantém sessão após condução coercitiva de Picciani e deputados trocam farpas

PSOL pediu afastamento do presidente da casa. Picciani foi defendido por parte 
dos deputados. Clima era de 'velório' na assembleia, com políticos atônitos.


Clima na Alerj era de 'velório' (Foto: Alessandro Ferreira/G1 ).
Por G1 Rio

As prisões e conduções coercitivas realizadas pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (29) durante a Operação Quinto do Ouro, braço da Lava Jato, atingiram em cheio o legislativo estadual. O clima no plenário da Assembleia Legislativa do Rio se assemelhava a um "velório", mas a sessão não foi cancelada. Deputados estavam atônitos e uma das razões para isso foi a condução do presidente da Casa, Jorge Picciani (PMDB), um dos alvos da operação da PF. Com a ausência de Picciani, que depôs por três horas na sede da PF, na Praça Mauá, a sessão foi comandada pelo deputado André Ceciliano (PT), segundo vice-presidente da Casa. O primeiro vice, Wagner Montes (PRB), está de licença médica. Sem o presidente, o burburinho formado em meio à repercussão da Quinto do Ouro gerou uma série de manifestações de parlamentares da Casa.

Uma das mais enfáticas foi a da bancada do PSOL, que protocolou pedido de afastamento de Picciani da presidência da Alerj. Em resposta, durante a sessão, a deputada Cidinha Campos (PDT) defendeu o cacique do PMDB e acusou os psolistas de "oportunismo". André Corrêa (DEM) fez coro a Cidinha e, na mesma linha, afirmou que afastar o presidente da Alerj do cargo neste momento seria "uma injustiça e uma covardia".

O psolista Flávio Serafini rebateu as críticas dizendo que o partido não pretende cassar o direito à defesa de Picciani, mas ponderou que ele (Picciani) deve ser afastado para que o funcionamento da Casa não seja afetado. "Cada deputado daqui, como qualquer cidadão, tem direito à ampla defesa, mas o presidente deve ser afastado para que a Casa siga seu curso normal. Não podemos fingir que não está acontecendo nada", declarou Serafini. Por volta das 17:00hs., o plenário do Palácio Tiradentes já estava bem vazio. Não muito depois a sessão foi encerrada e nenhum projeto foi votado. A expectativa era grande, porém, para a sessão de quinta-feira (30), quando Picciani deverá fazer um pronunciamento sobre a condução coercitiva.

Deputados do PMDB silenciam
Embora representem a maior bancada da Casa, os deputados do PMDB (mesmo partido de Picciani) preferiram o silêncio na sessão desta quarta-feira. Nenhum parlamentar do partido pediu a palavra no plenário, deixando a defesa de Jorge Picciani a cargo e aliados de outras legendas. O único a se pronunciar foi o deputado Geraldo Pudim (PMDB), que integrava a mesa diretora. Ele afirmou, antes de deixar o plenário, que os debates em torno do depoimento de Picciani à Policia Federal prejudicam o estado. "Haviam projetos de interesse da população que não foram apreciados, simplesmente porque alguns resolveram fazer discursos açodados e irresponsáveis, pedindo o afastamento do presidente sem nem mesmo saber por que ele foi levado a depor. É investigado? É testemunha? Ninguém sabe, e falar antes de saber é oportunismo político", disparou o parlamentar.

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