segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

PMs atravessam Túnel Zuzu Angel a pé

Eles teriam andado 5 km em direção à UPP da Rocinha. Esse já é o quarto 
dia de protestos das mulheres dos policiais nas portas dos batalhões.


PMs atravessaram a pé o Túnel Zuzu Angel na manhã desta segunda-feira.
JONATHAN FERREIRA

Rio - O protesto das famílias de policiais militares entrou já no quarto dia seguido. Por não terem conseguido tirar as viaturas do 23º BPM (Leblon), pelo menos 20 PMs atravessaram a pé o Túnel Zuzu Angel, na Gávea, Zona Sul do Rio, em direção à Rocinha, na manhã desta segunda-feira. Eles teriam andado 5 km até a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade. Apenas uma mulher estava na porta do 23º BPM nesta manhã. Ao DIA, ela confirmou que as viaturas não estão saindo da unidade e disse que não pode proibir os policiais de irem para o serviço a pé. "Eles são submetidos a tanta coisa, que o fato de ir a pé ao trabalho não demonstra nenhum sacrifício. Pelo contrário, ir a pé mostra que eles estão honrando o nosso movimento", afirmou. Na calçada do batalhão, havia uma viatura com os pneus furados. Em fotos enviadas ao WhatsApp O DIA (98762-8248), é possível ver o grupo andando na lateral direita da via. No entanto, a UPP negou o fato e disse que os policiais foram levados por um ônibus. "A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) informa que as trocas de turno já foram realizadas e o policiamento nas comunidades com UPPs não foi afetado", completou.

De acordo com o último informe da PM, divulgado na última sexta-feira, as famílias protestavam em 27 batalhões. O DIA percorreu algumas vias da cidade, na manhã desta segunda-feira, e detectou que não havia mais atos no 2º BPM (Botafogo). No 4º BPM (São Cristóvão) e no 19º BPM (Copacabana) duas pessoas protestavam na porta com faixas. Já no 23º BPM (Leblon) só havia uma pessoa se manifestando. No 4º BPM, um pequeno grupo de mulheres tentou impedir a saída dos policiais. Além disso, manifestantes continuam bloqueando a entrada do Batalhão de Choque, no Centro. Com uma farda manchada de vermelho e faixas pedindo melhores condições de trabalho para PMs, as mulheres estão impedindo a entrada e saída do prédio. Do lado de fora, dezenas de policiais que começariam seus turnos nesta manhã estão aguardando.



Elas cobram o pagamento de horas extras do segundo semestre de 2016, incluindo as dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O governo do estado também deve aos policiais o pagamento do 13º salário e de prêmios por cumprimento de metas. Em nota, a PM informou que, apesar dos protestos, o policiamento segue normal nas ruas. A corporação disse ainda que os batalhões que apresentam deficiência no efetivo estão recebendo apoio de outras unidades. "Reforçamos que estamos em diálogo constante com as lideranças a fim de conscientizar sobre a importância da saída do policiamento", destacou.

Na porta do 6º BPM (Tijuca), três mulheres controlam a entrada e saída de militares e viaturas. Sem se identificar, elas contaram que fizeram um acordo com o comandante do BPM para permitir que um efetivo mínimo policie as ruas da região. "Para garantir a segurança da Tijuca, um efetivo mínimo de policiais está nas ruas, de policiais equipados", contou uma das mulheres dos policiais. "Não vamos sair daqui enquanto as reivindicações não forem atendidas".

'PMs estão indo para UPPs sem armas', denunciam esposas.
No 6º BPM também houve bloqueio neste domingo. As mulheres impediram a saída de carros que levavam PMs sem uniformes e armas no banco de trás. A intenção das mulheres era evitar que eles trabalhassem despreparados e em situação de insegurança. "O coronel do 6º batalhão está designando eles (policiais) para ir para a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) sem colete e sem arma. Eles têm que assumir no 6º batalhão. As fardas deles estão lá. O coronel está colocando os nossos policiais para morrer lá em cima na UPP. As viaturas estão vindo buscar na esquina de banco, de padaria", afirmou Laila, mulher de policial que não quis se identificar. Ela e outras quatro mulheres de policiais bloquearam a saída de uma viatura nas proximidades do batalhão.

Na coordenação de Polícia Pacificadora (CPP), em Bonsucesso, também há denúncias de que o comandante da unidade esteja dando ordens para que os PMs façam a rendição nas UPPs sem os aparatos de proteção necessária. Várias esposas dos policiais estão preocupadas, temendo pela vida de seus companheiros.

Com informações da Agência Brasil
http://odia.ig.com.br