quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Exército chega em Marataízes para auxiliar na segurança


Por: Adriano Costa Pereira
e Robson Souza

Os soldados do exército chegaram em Marataízes no começo da noite de ontem, eles 
estão na cidade para auxiliar na segurança que está em calamidade em todo o Estado.


Além do exército o governador Paulo Hartung também solicitou 200 homens da 
Guarda Nacional. Impasse entre governo e PM agrava crise na segurança pública.

A crise da segurança pública no Espírito Santo entra no quinto dia longe de caminhar para uma solução. O governo e os militares não se entendem, retornando as negociações à estaca zero. Em entrevista coletiva na manhã da quarta-feira (8), o governador Paulo Hartung (PMDB), que está em licença médica após a cirurgia para retirada de um tumor na bexiga, acusou o movimento de “chantagista”, praticamente fechando qualquer canal de diálogo. Já os militares seguem aquartelados, deixando o policiamento nas ruas a cargo das tropas federais, restritas à Grande Vitória.

Durante a coletiva, o governador em exercício, César Colnago (PSDB), e o secretário de Segurança Pública, André Garcia, denunciaram que houve uma “sabotagem” nas negociações que estavam sendo conduzidas pelo governo. Os responsáveis seriam deputados estaduais, que se reuniram com representantes de associações militares e representantes de familiares de PMs ao longo da tarde e noite de terça-feira (7). Colnago e Garcia não citaram nomes, mas acusaram políticos de interferência para causar desgastes ao governo e com vistas a “projetos pessoais”. Disse Garcia: “Houve a intervenção de alguns autores atrapalhando. O processo foi sabotado. As mulheres [dos militares] recrudesceram e o movimento voltou”

O ponto central da discórdia é a suposta interferência no acordo que estava sendo amarrado junto com as mulheres dos militares, que hoje estão à frente do movimento que impede a entrada e saída de viaturas dos quartéis – muito embora existam registros de policiais se aquartelando. Para Hartung, o método adotado pelas lideranças do movimento envergonha. “É sequestrar o direito do povo e cobrar resgate”, acusou o governador licenciado, ressaltando o fato do movimento já ter sido declarado como ilegal pela Justiça. Apesar da gravidade da situação – com registro de 90 mortes, centenas de furtos e roubos, além de lojas e instituições fechadas –, o único indicativo de negociação é a reunião que já estava previamente marcada para a próxima sexta-feira (10), mas que também não foi confirmada.

Em relação ao policiamento ostensivo, o governo do Estado aposta todas suas fichas que a presença de tropas do Exército e da Força Nacional atenda a ausência dos policiais militares – que já foram ordenados pelo comandante a saírem para as ruas. Apesar do acirramento da crise na segurança pública, Hartung e Colnago bancaram a manutenção de Garcia à frente da pasta. Hartung também sinalizou que os efetivos da Força Nacional e Exército devem ser ampliados.

Acordo?
No início da tarde de terça, uma reunião entre o comandante-geral da Corporação, coronel Nylton Rodrigues, e familiares de policiais selou um acordo pelo fim do motim mediante a promessa da reabertura da pauta de negociações entre governo e PM, além da anistia aos militares responsáveis pela estratégia da “greve branca”. Isso tudo foi documentado em uma ata, cuja imagem foi amplamente divulgada pelas redes sociais. Por outro lado, enquanto o governo – através do Comando da PM – negociava com as famílias no Quartel de Maruípe, quase ao mesmo tempo, um grupo de deputados estaduais estava reunido com representantes das associações militares. No encontro realizado na Presidência da Assembleia, ficou acordado uma nova reunião com o mesmo grupo de mulheres de PMs. Até aquele momento, os integrantes do Legislativo figuravam como meros “fiadores” do acordo que era alinhavado no Quartel, com forma de garantia de seu cumprimento.

No início da noite, o grupo de 20 deputados estaduais (puxado pelo cabo reformado da PM, Josias da Vitória, do PDT) e mais a senadora Rose de Freitas (PMDB), recebeu os familiares dos PMs, quando foram incluídos novos itens na pauta de negociações – incluindo uma tabela de reajustes salariais. A partir deste ponto, o governo passou a rechaçar a antecipação de uma reunião entre o movimento – previamente marcada para sexta-feira –, resultando no fim do acordo prévio com as mulheres dos policiais. O reflexo disso foi o retorno das viaturas que já estavam indo para as ruas em algumas unidades da PM. Nos bastidores, o governo já comemorava um entendimento com os manifestantes – tanto que a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) fez questão de divulgar o início do retorno das tropas às ruas. Entretanto, os policiais voltaram para os batalhões e desde então a crise só piorou, sem uma perspectiva real de acordo entre as partes.

Na coletiva à imprensa, o governador em exercício rejeitou a possibilidade de anistia aos militares envolvidos no movimento, ponto que estava previsto no acordo com o Comando da PM. Colnago negou ainda a possibilidade da concessão de reajuste. “Não vamos dar um reajuste irresponsável”, afirmou o tucano, citando a política de ajuste fiscal do governo estadual. Antes, Garcia já havia sinalizado que os envolvidos seriam responsabilizados – motim é crime previsto no Código Militar, cuja pena varia de quatro a oito anos de reclusão.

Em sua fala, Hartung afirmou que a proposta de reajuste deve custar meio bilhão aos cofres públicos: “Onde vamos arranjar esse dinheiro?”, questionou. A posição do governo é de negociar questões salariais apenas com todo funcionalismo público e não com uma categoria isolada. Fontes de bastidores alegam que o governo desautorizou o presidente da Assembleia, deputado Erick Musso (PMDB), que antes de chefiar a Casa era vice-líder do governo, a fazer qualquer interferência nas tratativas.

Século diário
(Da colaboradora: Andrea De Matos Brumana).