quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Eike Batista: O que delação pode revelar.

Jornalista autora de livro sobre empresário faz resumo sobre as informações que Eike pode divulgar.



Jornal do Brasil

Preso preventivamente por acusação de envolvimento ilícito com o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, Eike Batista tem muito a dizer aos investigadores da Lava Jato. A jornalista da revista Piauí e autora do livro “Tudo ou nada: Eike Batista e a verdadeira história do grupo X”, Malu Gaspar, fez um resumo das ligações que o empresário - outrora o sétimo homem mais rico do mundo - pode ter com outros políticos, além do ex-governador, também detido pela Justiça. Após se entregar, dias depois de ser considerado um foragido, Eike sugeriu ter sido vítima de políticos gananciosos, em sua última entrevista antes de ser preso. Segundo a jornalista, o tom do empresário foi o mesmo de seu depoimento em Curitiba, em 2016, em que admitiu ter dado US$ 2.300.000,00 ao marqueteiro João Santana, a pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, para saldar dívidas de campanha petistas. Em seu eventual acordo de delação, Eike possivelmente revisitará o processo de contratação da Termoluma, uma das usinas térmicas montadas para suprir o Nordeste de energia durante o apagão, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso. Também deverá explicar suas ligações com o Partido dos Trabalhadores, cuja parceria resultou na alcunha de “empresário amigo do PT”. Eike passou a ser chamado dessa forma após os supostos pedidos de ajuda de emissários petistas para saldar as contas da primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Entre frustrações na Bolívia e a tentativa fracassada de compra da Vale, Eike também teria concordado em remunerar o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para levar ao porto do Açu um terminal de transbordo de petróleo, o que não aconteceu. O empresário também teria acordado com o ex-presidente Lula a venda de uma sonda petrolífera para a Sete Brasil, que também não deu certo.

Malu Gaspar também lembra os negócios bem sucedidos de Eike junto ao governo, que envolviam o BNDES, o Fundo de Marinha Mercante e a Caixa Econômica Federal. Segundo ela, o empresário tinha a seu favor, atuando como lobistas, Guido Mantega, Fernando Pimentel e o próprio Lula. No caso de Lula, o ex-presidente teria pressionado para que dirigentes da petroleira estatal russa comprassem a OGX. Tempos depois, Dilma teria ligado para membros do governo da Malásia para sugerir que “era interesse do estado brasileiro” que os malaios comprassem a petroleira de Eike. Sob Dilma, o estaleiro X ganhou um contrato de construção de plataformas para a Petrobras.

O empresário também teria sido auxiliado por políticos como José Sarney, Edison Lobão, Aécio Neves, além de Sérgio Cabral. Segundo a jornalista, as histórias que Eike pode contar envolvem uma “lista longa” de políticos.

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