quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Crivella faz abertura do ano legislativo na Câmara com quase 1h de discurso.

Nova legislatura deve ser mais plural que a anterior, quando Eduardo Paes tinha 44 vereadores na base governista.


Crivella participa de abertura do ano legislativo 
na Câmara com quase 1 hora de discurso.
O DIA

Rio - Com a presença do prefeito Marcelo Crivella, a Câmara do Rio iniciou na quarta-feira os trabalhos da nova legislatura. Dos 51 parlamentares, a base governista já cooptou cerca de 32. O número garante a maioria absoluta do plenário, mas exige do governo uma forte articulação para aprovar projetos que mexam na Lei Orgânica do Município, quando são necessários 34 votos — dois terços do parlamento. É o caso da polêmica proposta de equipar com armas não letais a Guarda Municipal, uma das prioridades da Prefeitura. “O Psol vai ser contra, evidentemente. Isso vai ter que ser colocado em ampla discussão. Não podemos querer passar uma matéria de uma importância dessa a toque de caixa”, afirmou o líder do governo no Palácio Pedro Ernesto, vereador Paulo Messina (Pros). A vereadora Marielle Franco, do Psol, confirma: não pretende facilitar a aprovação do armamento. “O debate da segurança pública não se resolve com mais armamento. Esse modelo de uma segurança pública que não é preventiva e não é de inteligência não nos atende.” Com seis integrantes, a bancada psolista é a segunda maior da Casa. E a mais opositora.

Quem também vai votar contra o projeto é Fernando William (PDT), que se posicionará de modo independente ao longo dos quatro anos. “A Guarda foi criada com fins específicos de dar conta da proteção aos bens públicos. Para isso, não há necessidade de armas agressivas. Quando dizem ‘não letais’, não se sabe até onde são ‘não letais’. A bala de borracha, por exemplo, está quase matando um jovem que estava participando de manifestação.”

Até quarta-feira que vem, os parlamentares escolherão os nomes para as mais de 20 comissões permanentes do Palácio Pedro Ernesto. Nesta quarta, duas comissões especiais foram criadas. Uma, de autoria de Fernando William, para discutir a privatização da Cedae pelo governo estadual — com a qual ele não concorda. A outra, de Jones Moura (PSD), para debater a incorporação da Guarda ao planejamento de segurança pública. Decididos os integrantes das permanentes, só então os projetos de lei entrarão em pauta. A tendência é que haja mais debate do que no período Eduardo Paes, quando o ex-prefeito tinha o número estapafúrdio de 44 vereadores na base. “A gente obviamente não iria chegar a esse número, porque a Câmara já parte de uma bancada de oposição maior. Mas ela é uma base mais intensa, mais fiel, mais firme, mais coesa” , explicou o líder Paulo Messina. “O paradigma que a gente está querendo mudar é o de uma Câmara subserviente para uma Câmara parceira."

Na base crivellista, estão PRB, PSDB, PTB, PDT, PHS, PMN, PP, PSD, PEN, Pros, PT do B e PTN. Como prioridade no início das discussões, Messina mencionou 58 projetos de lei enviados por Eduardo Paes ao Legislativo que ainda não foram votados. "É preciso limpar essa pauta e ver o que interessa e o que não interessa ao atual governo", comentou Messina.

Discurso longo
Crivella, em discurso, falou por quase 1 hora e deixou o plenário inquieto. A oposição o acusa de ainda estar em ritmo de campanha, enumerando propostas sem soluções concretas. “Vamos fazer uma oposição responsável, principalmente frente às falas de mando e desmando que o prefeito tem feito. A fala e o posicionamento dele no dia de hoje foram quase um discurso ainda de campanha”, criticou Marielle. À imprensa, o prefeito voltou a pedir austeridade nos gastos públicos e a dizer que a nomeação de Marcelo Hodge Crivella, seu filho, para a secretaria de Casa Civil não foi nepotismo, alegando que a prática não se aplica a cargos de primeiro escalão.

Reportagem do estagiário Caio Sartori
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