quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A água é pública!

Tentando desqualificar a luta contra a privatização da Cedae, privatistas 
insistem em tratar o tema como mera questão corporativa dos ‘cedaeanos’.


O DIA

Rio - A água é um bem essencial à vida. Em breve tempo, possivelmente ainda na primeira metade deste século, a água será a maior riqueza do planeta. A disputa pelo controle dos principais recursos hídricos motivará guerras (o que já ocorre!) e terá potencial para redefinir a geopolítica. Interesses do grande capital buscarão, cada vez mais, assumir o controle e a gestão das reservas hídricas, sobretudo em países da periferia do capitalismo. Convertida em mercadoria e gerida sob a lógica do lucro, a água tornar-se-á bem escasso ou inacessível para expressivas parcelas das populações, em especial para comunidades e famílias mais empobrecidas. Assim, é fundamental que a água esteja sob o controle do Estado, entendido como Poder Público, de modo que sua gestão, realizada sob saudável controle social, oriente-se não pela perspectiva da acumulação capitalista, mas antes segundo a missão social do Estado de promover saúde e bem estar sem exceção ou discriminação. Nesse sentido, agiganta-se no Estado do Rio a luta contra a privatização da Cedae. Na tentativa de desqualificá-la, privatistas insistem em tratar o tema como mera questão corporativa dos ‘cedaeanos’. Longe disso, porém, trata-se de luta cidadã pela última joia da combalida coroa fluminense, tão dilapidada nos últimos 15 anos.

A Cedae, que em 2016 realizou lucro líquido de R$ 380.000.000,00, não está falida, como é o caso do Estado do Rio. O governo federal ilegítimo age como se fosse o salvador das finanças públicas do Rio, mas coloca a faca na nossa jugular: quer a Cedae privatizada e entregue à sanha da exploração capitalista. Mesmo que isso coloque em risco a saúde e, no limite, a vida dos que não poderão pagar as tarifas que certamente se elevarão, como sempre ocorreu nas experiências fluminenses de privatização de serviços públicos, majoritariamente fracassadas. O governador, em sua campanha à reeleição em 2014, assumiu compromisso de não privatizar a Cedae. Agora, sob coação do governo federal e de forças políticas que o ameaçam com a pontiaguda espada do impeachment, cedeu à pressão privatista.

Quanto ao BNDES, em vez de forçar a privatização da Cedae, por que não apoia o seu Plano de Expansão e Modernização, contribuindo para a consolidação da última empresa estatal fluminense e, principalmente, para a melhoria dos serviços de abastecimento de água e de tratamento de esgoto? A água é pública, assim como pública deve continuar a Cedae!

Waldeck Carneiro é professor e deputado estadual pelo PT-RJ.

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