quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ponte Rio-Niterói registra assalto dia sim, dia não

Ao menos 187 ônibus foram atacados nos acessos à Rio-Niterói em 2016. Passageiros mudam rotina.


Assalto a ônibus Galeão-Charitas. Ação ocorreu na altura do Caju, antes 
de o coletivo subir a Ponte. Bandido fugiu com ajuda de motociclista.
BRUNA FANTTI 
E GUSTAVO RIBEIRO

Rio - Depois de presenciar um assalto no ano passado, no ônibus em que estava da linha Galeão-Charitas, o engenheiro de alimentos Felipe Lopes, de 22 anos, só se locomove nas chamadas caronas solidárias. O morador de Itaboraí Gustavo Rodrigues, 37, anda com o dinheiro escondido nos sapatos desde que foi roubado em um frescão quando voltava para casa. Mudanças como essa fazem parte do dia a dia de quem trafega na Ponte Rio-Niterói e tem medo dos assaltos em ônibus, como mostra a quinta reportagem do DIA na série ‘Passageiros da Agonia’A auxiliar de Recursos Humanos Natália Marques, 25, prefere pagar mais caro em ônibus expressos, medida adotada por conta do trauma de ter sido assaltada em um coletivo que havia parado na altura do Caju. “Do lado de fora do frescão não dá para ver nada porque o vidro é escuro e ainda tem as cortinas”, garante Natália.

A rotina dos assaltos foi levantada pela reportagem junto às empresas de ônibus. De acordo com os registros, em 2016, pelo menos 187 ônibus foram assaltados nos acessos da Ponte. As ações são sempre muito similares: ocorrem momentos antes de os coletivos entrarem na via expressa que liga os municípios do Rio e de Niterói. Segundo motoristas, isso facilita a fuga dos bandidos, já que o coletivo continua viagem pela Ponte, não podendo parar. Pela análise dos registros, 77% (144 assaltos) ocorreram no horário de entrada ou saída do trabalho, tendo entre estes os ônibus modelo frescão como o principal alvo: um total de 97.

Câmeras de um ônibus da linha Galeão-Charitas registraram o momento do roubo ao coletivo no dia 19 de setembro. O assalto ocorreu às 05:17hs., pouco antes de o ônibus subir a Ponte. Enquanto o bandido roubava, um motoqueiro dava apoio à ação criminosa. Assim que o assaltante desceu, na altura do Caju, ele subiu na garupa da moto e fugiu com os pertences dos passageiros — e até com moedas das passagens pagas.

Rotina de violência para ir e vir
Quarenta e uma pessoas foram detidas na tarde de ontem após cometerem depredação em um ônibus da linha 474, que liga o Jardim de Alah, na Zona Sul, ao Jacaré, na Zona Norte. A ação criminosa ocorreu na esquina das ruas Prado Júnior com Nossa Senhora de Copacabana. Policiais do 19º BPM (Copacabana) conduziram os detidos para a delegacia do bairro. Outro assalto na linha 474 ocorreu ontem, na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio. Ninguém foi preso. Um policial militar esfaqueou um suposto assaltante, na tarde de ontem, dentro de um ônibus da empresa Trel, na Avenida Brasil. Em um áudio que circula pelas redes sociais, colegas do PM afirmaram que ele carregava a faca, pois não tem condições de comprar uma arma de fogo. Também circulou nas redes sociais uma imagem do possível assaltante ferido, sangrando no chão do ônibus. Sua identidade não foi revelada.

Juíza manda prender após reportagem
No mesmo dia em que a matéria da série ‘Passageiros da Agonia’ sobre a Avenida Brasil foi publicada, ontem, a juíza Ana Mota Helena Lima, da 26ªVara Criminal, deferiu o pedido da polícia pela prisão preventiva do líder da quadrilha de roubos em ônibus Douglas Gonzaga do Nascimento, o Pivete. A polícia aguardava o deferimento da prisão desde o dia 25 de novembro, conforme mostrou a reportagem. Sem resposta da Justiça, o delegado Wellington Oliveira, titular da 21ªDP (Bonsucesso), não tinha como realizar a prisão e ainda encontrou Pivete mais de uma vez na rua, próximo à delegacia. Nesse período de espera, Pivete foi reconhecido por vítimas em outros assaltos, inclusive um ocorrido há duas semanas, flagrado por câmeras. As imagens foram divulgadas com exclusividade pelo DIA. Sem o mandado de prisão, a polícia não tinha como realizar sua captura, exceto em ação flagrante. Na decisão, a juíza escreveu que “o réu demonstra periculosidade elevada” e que é “inaplicável medidas cautelares alternativamente à prisão”O deferimento, após 7 semanas e dois dias, foi motivo de comemoração do delegado. “Isso é muito bom. Já tenho outros seis pedidos de prisão dele, incluindo um de assalto a uma mulher que estava dentro de um táxi”, disse Oliveira.

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