quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Obras paradas no Rio geram troca de farpas entre ex-secretário de Paes e atual de Crivella.


Obras da Transbrasil, na Avenida Brasil. em frente à Fiocruz: abandono.
Bruno Alfano

Ex-secretário de Governo da era Eduardo Paes, o deputado federal Pedro Paulo Teixeira (PMDB) culpou a gestão do prefeito Marcelo Crivella (PRB) por metade das obras da cidade estarem paradas. Segundo ele, os financiamentos para as intervenções estão garantidos por bancos como a Caixa e o BNDES ou previstos no orçamento. — Não é a obra que está parada. Ela foi suspensa para a virada do ano. Acho que o que tem é um desconhecimento do secretário sobre o financiamento — disse Pedro Paulo: — Precisa abrir o orçamento. A obra está parada porque o orçamento está fechado. O prefeito não paga, e a empresa não executa.

O EXTRA mostrou, na terça-feira, que 93 das 185 intervenções contratadas na gestão de Eduardo Paes estão paralisadas. Juntas, respondem por R$ 2.100.000.000,00 do orçamento de R$ 6.500.000.000,00. Pedro Paulo afirmou que as reformas do túnel Noel Rosa e do Bairro Maravilha, por exemplo, estão dentro do previsto. — Essas obras foram, de certo modo, suspensas com o fechamento do orçamento no dia 15 de dezembro. Em geral, nas mudanças de ano, são feitas suspensões de pagamentos. É de praxe: — disse o deputado: — As obras só vão parar se as tirarem do orçamento. Dinheiro, tem. Deixamos R$ 1.700.000.000,00 em restos a pagar e R$ 1.900.000.000,00 no caixa. A única obra emperrada, segundo o deputado, é a construção do BRT Transbrasil. Pedro Paulo alegou que a antiga gestão não quis dar o reajuste de R$ 85.000.000,00 pedido pelo consórcio, mas, agora, quem decide é Crivella. — O consórcio malandramente colocou esse impasse na volta da obra — disse.

A Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação informou, em nota oficial, que a declaração de Pedro Paulo é defensiva e justificável, mas não é verdadeira. “As obras foram suspensas pelo ex-prefeito Eduardo Paes”, informou. Na última quinta-feira, o secretário da pasta, Indio da Costa, afirmou que, por causa da crise, o prefeito anterior interrompeu a execução das obra. — Ele fez isso para não deixar restos a pagar em 2017 e não ficar inelegível — declarou. Ainda segundo ele, a obra do BRT Transbrasil está orçada em R$ 1.400.000.000,00 e, até agora, metade teria sido paga. As construtoras pedem mais: R$ 40.000.000,00 em novos itens e R$ 45.000.000,00 de reajuste do contrato. — Vamos negociar esse pedido — disse ele.

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