quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Justiça nega pedido de prisão domiciliar para ex-secretário de Obras de Cabral

Defesa alegava "risco iminente de rebelião nos presídios".


Sérgio Cabral e Hudson Braga.
Jornal do Brasil

A Justiça Federal negou o pedido da defesa do ex-secretário de Obras do Rio Hudson Braga de substituição da prisão preventiva em domiciliar. Os advogados alegavam que havia “o risco iminente de rebelião nos presídios” do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. A juíza Débora Valle de Brito, da 7ª Vara Federal Criminal, rebateu afirmando que "a suposta situação de risco é comum a toda e qualquer pessoa recolhida em estabelecimento prisional brasileiro, ou mesmo em liberdade, no Estado Brasileiro, diante do grave quadro de segurança pública nacional, não servindo a justificar qualquer tratamento individualizado aos ora requerentes." A juíza também negou o pedido de revogação da prisão preventiva feito pelas defesas de Wagner Jordão Garcia (ex-assessor de Sérgio Cabral), Luiz Paulo Reis (apontado como "testa de ferro") e José Orlando Rabelo (apontado como operador).

Delação
A delação do ex-secretário de Obras do ex-governador Sérgio Cabral, Hudson Braga, está sendo articulada por seus advogados junto ao Ministério Público Federal (MPF). De acordo com informações da coluna de Lauro Jardim, figuras do alto escalão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE) serão citadas. A investigação sobre o suposto esquema de propina que envolvia o governo do Estado do Rio aponta que o valor pago a Cabral era de 5% por obra, mais 1%, chamado de "taxa de oxigênio", e que era repassado para a Secretaria de Obras do governo, de Hudson Braga. O desvio de recursos teria acontecido principalmente em três grandes obras, a reforma do Maracanã, do Arco Metropolitano, e o PAC Favelas, nas quais o prejuízo foi estimado em mais de R$ 220.000.000,00.

Briga na prisão
Cabral já teria se desentendido com Hudson Braga no fim de dezembro, no presídio de Bangu, onde estão presos desde novembro. Também segundo Lauro Jardim, a informação de que Braga "já dá sinais de que prepara a sua deleção premiada" teria irritado Cabral, que reagiu cobrando lealdade. Cabral teria se acalmado após o bate-boca dizendo que, se fosse o caso de fazer delação premiada, ele mesmo, Cabral, poderia coordenar os entendimentos do grupo.

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