segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Acordo entre iniciativa privada e poder público garante que obras saiam do papel

Moradores do Rio contam como têm se beneficiado do legado olímpico em obras como a Transolímpica, VLT e outros.


Inaugurada para ligar dois polos de competição na Rio 2016, Transolímpica 
possibilita motorista ir de Deodoro à Barra em dez minutos.
O DIA

Rio - Facilidade. Essa é a palavra que a professora de educação física Marceli Frulani, 30 anos, define após a inauguração da Transolímpica. Moradora da Barra da Tijuca mas nascida em Nova Iguaçu, Marceli utiliza a via geralmente nos finais de semana para visitar a família, que mora na Baixada Fluminense. “Antes, levava, em média, duas horas para chegar na casa da minha mãe. Muitas vezes até mais. Depois dos Jogos, quando a Transolímpica foi aberta para a população, passei a levar trinta minutos. Quando falo para as pessoas que em 10 minutos vou do Parque Olímpico até a Avenida Brasil, na altura de Deodoro, ninguém acredita. Eu gostei muito, mas minha mãe amou, já que agora me vê mais”, brinca. E esse benefício só foi possível por conta de uma parceria público-privada realizada entre a Prefeitura do Rio e a concessionária ViaRio. Para o presidente da empresa que administra a via, a medida contribui para a população e só saiu do papel por conta do modelo implantado.


Sete meses após inauguração, VLT já transportou mais de quatro milhões 
de passageiros e recebeu mais de 60 mil usuários por dia nos Jogos.

“A parceria representa um grande avanço para a sociedade, já que cria possibilidades de execução de obras que estavam previstas há mais de 50 anos”, garante Ronaldo Vancellot, presidente da ViaRio. Para ele, já nos primeiros meses após a inauguração da Transolímpica, a satisfação dos motoristas que passam pela pista reflete a descrita por Marceli. “Nossos usuários demonstram, através de mensagens no 0800 e no atendimento ao usuário, que estão muito contentes com a nova via expressa, já que ela permite um ganho de tempo muito grande. O tráfego da Baixada Fluminense e da Zona Oeste ganhou um novo caminho, diminuindo os impactos na Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela. Além disso, contam com os serviços de socorro médico e mecânico, além de pistas com bom pavimento e uma nova iluminação de LED”, explica.

A Transolímpica liga Barra da Tijuca a Deodoro e conta uma faixa exclusiva para o BRT e outras duas para veículos em cada sentido. Anunciada como um dos principais legados para a população com a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, a via, assim como as obras do VLT e a revitalização do Porto, representa uma nova fase que a cada vez mais, sobretudo na atual crise econômica, tem demonstrado ser uma das saídas previstas pelos governos para investir em infraestrutura, gerando empregos e contribuindo, portanto, para que o país saia da recessão.

Ronaldo acredita que a construção deverá impactar de forma positiva a área cortada pela via expressa. “Ao longo do tempo deverá trazer novos empreendimentos para a região, sendo um fator indutor de crescimento”, afirma.

Cautela no processo de parceria
Implantação do VLT demonstrou rapidez em obras tocadas através de PPPs. Também utilizando a iniciativa privada para realizar obras executadas em curto prazo, o VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) passou, em poucos anos, de sonho distante a realidade para cariocas e turistas. Para o presidente da concessionária que administra o modal inaugurado há sete meses, a escolha é natural e não só no Brasil. “As PPPs são utilizadas no mundo inteiro. Acho que esse modelo é perfeito para esse momento de crise porque protege o estado, evita sobrepreço, e riscos dos projetos não serem completados. Acredito que o VLT só foi entregue antes das Olimpíadas porque tinha a iniciativa privada gerenciando essa obra”, explica o presidente Rodrigo Tostes.

Rodrigo ressalta que “nesses acordos, a responsabilidade e o risco da construção são transferidas para a iniciativa privada. Ou seja, se o valor estipulado da obra exceder, o risco é da gestão privada. E se o valor for menor, o governo tem direito de solicitar o reembolso”. Em pouco mais de meio ano, mais de quatro milhões de pessoas usaram o VLT. Em média, de 25 a 30 mil usuários diariamente. Com a abertura da segunda linha, em fase de testes, esse número deve ser dobrado. Rodrigo acredita ainda que o modal trouxe uma série de facilidades para o Centro do Rio. “O VLT liga os quatro grandes polos de chegada da cidade (Rodoviária, Barcas, Central e Santos Dumont). Um legado que não tem volta. Hoje, damos consultoria para a implantação em outras cidades”, finaliza.

Apesar de governos apontarem a parceria com a iniciativa privada como uma das medidas para alavancar a economia, apostando em novos investimentos em infraestrutura, os próprios gestores de concessionárias alertam para o uso correto do mecanismo. Para Ronaldo Vancellot, presidente da ViaRio, é preciso cumprir a legislação e dar segurança para as partes envolvidas. “O sistema de parceria entre o estado e a iniciativa privada, através de PPPs ou concessão, já demostrou, ao longo dos anos, ser um modelo eficiente para atrair investimentos, gerar empregos, impostos e possibilitar a criação de infraestrutura. O que ainda é necessário reforçar é que os poderes respeitem os contratos firmados para dar segurança a todos os integrantes dessa cadeia produtiva”, afirma.

Ricardo Tostes, do VLT Carioca, aponta os cuidados que precisam ser tomados com PPPs e concessões. “Primeiro, é preciso ter um bom tempo para um projeto sólido. Ter números, cláusulas que protejam tanto um lado quanto o outro. Tudo muito bem definido. E depois a iniciativa privada dar garantias que tem experiência para realizar o contrato e o serviço”, explica. Segundo Ricardo, as parcerias estarão em alta nos próximos anos. “Como acontece no mundo, acho que essa integração entre o poder público e privado é o caminho para tirar grandes projetos do papel, beneficiando a população. Tenho certeza de que a luz no fim do túnel está nessa parceria”.

Potencial turístico do Rio cresce
Que as obras realizadas na cidade para os Jogos conquistaram o carioca, isso muitos já sabem. Mas essas melhorias favorecem também o turismo. De acordo com Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) e do Rio Convention & Visitors Bureau, obras de mobilidade como o VLT e a linha 4 do Metrô elevam o Rio ao nível de países com forte apelo turístico. “O Rio agora conta com uma malha viária moderna, com modais de transporte novos como o VLT e o metrô chegando até a Barra. Tudo isso facilita para que o turista circule por toda a cidade de forma muito mais rápida, eficiente e barata, a exemplo do que é feito em outras cidades turísticas do mundo. Esses transportes que se comunicam e se interligam proporcionam ao turista um deslocamento de forma confortável e prática”, afirma Alfredo.

A melhora no turismo que a cidade atravessa já era aguardada, segundo ele. “Toda cidade que sediou Olimpíadas teve um crescimento de 20% a 25% no recebimento de turistas nos cinco anos após o evento. E isso já está acontecendo no Rio. Estamos nessa escalada e o réveillon já mostrou isso, mesmo neste ano de crise”.

O balanço da ABIH-RJ revelou que no fim do ano o Rio teve cerca de 80% de ocupação da rede hoteleira na Barra da Tijuca e 85%, na Zona Sul. Além disso, turistas vizinhos ganharam o Rio. “Países do Mercosul estão muito mais interessados no Rio”, explicou Alfredo. Ele afirma que 2017 também será um ano muito bom para o turismo. “Só no ano passado entraram em operação 18 mil novos quartos na cidade, um volume de oferta muito grande. Para este ano, já temos pelo menos dois eventos internacionais por mês fechados na cidade”, finaliza.

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