quinta-feira, 15 de setembro de 2016

João Maia, o fotógrafo cego dos Jogos Paralímpicos Rio-2016, vai além de sua deficiência


João Maia participa do projeto Mobgraphia: ele tem 10% de visão.
Michel Castellar

“Uma experiência sensorial e sonora incrível” é como João Maia descreve seu trabalho nos Jogos Paralímpicos Rio-2016, como fotógrafo. Mas o piauiense de Bom Jesus se destaca dos demais profissionais da imagem não só pela competência, mas por um detalhe: é cego. — O principal é poder fotografar com o olhar do deficiente. É uma fotografia cega, porque só consigo ver vultos e cores fortes a até um metro de distância. Depois, só vejo chuviscos como em imagens de TV fora do ar — explica Maia, que perdeu a visão aos 28 anos, após uma inflamação ocular.


Um dos cliques de Maia, que só enxerga vultos e cores fortes.

Antes de ficar cego, ele era funcionário do Correios, origem de sua pensão por invalidez. É esse rendimento que permite Maia fotografar, já que ainda não consegue viver apenas deste trabalho. — Espero que, depois dos Jogos, as pessoas reconheçam meu trabalho — diz ele, que chegou à Paralimpíada para participar do projeto “Superação”, da Mobgraphia, cujo principal objetivo é retratar as competições com um telefone celular.



Maia compartilha suas fotos em seu Instagram.

A preocupação com quem perdeu a visão (ou parte dela) está presente no trabalho de Maia. Em seu perfil no Instagram — @joaomaiafotografo —, ele publica todas as suas fotos com a descrição das imagens. Na Rio-2016, o que ele mais gostou de fotografar foram as partidas de futebol de 5 e goalball, além do atletismo, porque já foi atleta do arremesso de peso. — Clico os momentos de alegria do público e dos atletas. Quando os torcedores começam a fazer hola, viro a máquina e disparo — conta Maia: — O barulho que eles fazem, para quem é deficiente visual e tem uma audição apurada, é indescritível, sensacional.



João está fotografando na Rio-2016.
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