sábado, 6 de agosto de 2016

Cerimônia de abertura tem 'baixa tecnologia' e fortes mensagens políticas

Festa foi construída com materiais baratos, como elásticos, 
e efeitos visuais com projeções em um grande telão.


Abertura dos Jogos Olímpicos foi realizada na noite desta sexta-feira
BRUNA FANTTI

Rio - Com a mesma rapidez dos pulos dos dançarinos de parkour de Débora Colker, a história do Brasil foi mostrada em saltos temporais na abertura dos Jogos, no Maracanã, na noite da sexta-feira. Do surgimento da vida e da selva, vem a colonização dos portugueses e chegada dos imigrantes. De escravos, negros foram empoderados. A modelo, que representa o país, no entanto, é a super model Gisele Bundchen. A apresentadora Regina Casé, então, diz "celebramos nossas diferenças" e a desordem, vira festa, ao som de Ludmilla, representando a voz das favelas. Tudo com pouca tecnologia e criatividade. Assim teve início a cerimônia Rio 2016, idealizada pelo o italiano Marco Balic e definida por ele como "low tech" (baixa tecnologia), com mensagens políticas fortes. A festa foi construída com materiais baratos, como elásticos, e efeitos visuais com projeções em um grande telão térreo, onde dançarinos fizeram as coreografias, enquanto imagens eram projetadas.


A cerimônia teve como pilares: a história do Brasil; a herança musical; ecologia e sustentabilidade; e, claro, samba. No início, um imenso mar foi projetado na lona do chão. Bonecos em forma de aranhas e insetos entram no palco, formando uma teia. Dessas teias, índios formam ocas. Os conquistadores portugueses surgem com caravelas, desfazendo as moradias indígenas. Com blocos pesados e grilhões nos pés, os escravos entram. Imigrantes aparecem, como os japoneses, que seguram imensas bandeiras vermelhas simbolizando seu país.


A urbanização avança, ao som de "Construção", de Chico Buarque. Conforme os prédios cresciam, dançarinos simulavam pulos nos terraços. Ao final, trouxeram caixotes e os iluminaram com lanternas. A plateia acompanhou, ligando as telas dos celulares.


Dessas caixas e, em um retorno ao tempo, uma réplica do avião 14 BIS, de Santos Dumont, é mostrada. Para surpresa de todos, ele sobrevoa o Maracanã, levando os presentes ao delírio. Enquanto isso, no telão o uma filmagem mostrava a cidade de cima, sobrevoando os cartões-postais da cidade: sambódromo, Catedral, Arcos da Lapa e Zona Sul. Nesse instante, com um vestido lilás metalizado, ao som de "Garota de Ipanema", Gisele Bundchen faz o mais longo e primeiro desfile após anunciar sua aposentadoria. Ela cruza o Maracanã, com um salto alto, e percorre 124 metros. Foi o segundo avião da noite a arrancar suspiros dos presentes.

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