domingo, 17 de julho de 2016

"The Guardian" - Qual será o legado das Olimpíadas: crise ou solução?


Jornal do Brasil

Artigo do The Guardian sobre a Olimpíada no Brasil resume o sentimento da população em uma frase: “O Brasil está muito mal no momento, espero que os Jogos tragam turistas e as coisas melhorem.” A crise que afetou o Brasil precisa desesperadamente de uma ajuda olímpica, depois de dois anos de declínio econômico e tumulto político, diz o texto. O artigo prossegue afirmando que desde quando o Brasil saiu da Copa do Mundo de 2014, sediada no país, de forma devastadora, o nacionalismo tem ido de mal à pior. O texto destaca que a posição econômica do país, que antes disputava 5º lugar com a França e Reino Unido, agora caiu para abaixo do 10º lugar, ficando atrás da Índia e Itália. E, da mesma forma, o campo político também assusta. Em 2009, era governado por Luiz Inácio Lula da Silva, cuja aprovação era uma das maiores do mundo. Hoje, o país se encontra no meio de um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Seu substituto, o interino Michel Temer tem taxas de aprovação baixíssimas.

The Guardian prossegue afirmando que, junto disso, há o declínio da Petrobras que foi vítima de um grande esquema de corrupção denunciado na Operação Lava Jato, em curso no país. Com base no Rio, a empresa era a maior companhia da América Latina e a que mais empregava. Da mesma forma, a maior empreiteira do país, Odebrecht, também estava envolvida em corrupção e perdeu sua força. Crimes, corrupção, corte de gastos e ainda surge a epidemia da Zika e preocupações de poluição. O texto reforça que mesmo com os benefícios e investimento e desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro, trazido pelas Olimpíadas, isso não foi o suficiente. O governo do Estado do Rio de Janeiro está mergulhado numa crise que o fez declarar falência e estado de calamidade. "Cariocas serão muito receptivos durante os Jogos, mas quando eles acabarem, vai surgir um sentimento de raiva e muitas pessoas vão ficar desempregadas, já que muitos trabalhos gerados pela Olimpíada vão acabar", prossegue o texto.

Segundo o jornal, há preocupações acerca do corte afetar a segurança também,uma vez que policiais fizeram recentes manifestações e ameaçaram entrar em greve, como quando estiveram no aeroporto carregando uma faixa: “Bem-vindo ao inferno!”. O artigo conclui, afirmando que o verdadeiro impacto de sediar as Olimpíadas na diplomacia, turismo e economia poderá demorar uma década para surgir. Contudo, planos para manter os aspectos positivos e os investimentos nos esportes podem e devem ser monitorados.

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