sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sérgio Cabral é alvo de operação que investiga desvio de dinheiro público.

Operação Saqueador, semelhante à Lava Jato, foi deflagrada 
nesta quinta pela Polícia Federal e Ministério Público Federal.


MARLOS BITTENCOURT

Rio - Ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral é um dos alvos da operação Saqueador, uma espécie de Lava Jato carioca, deflagrada na quinta-feira pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. A ação investiga desvio de dinheiro público em diversas obras, como a do Parque Aquático Maria Lenk, do Maracanã, e também de despoluição da Lagoa de Araruama, em Iguaba Grande. Descobriu-se, inclusive, que houve dispensa indevida de licitação para a construção do Maria Lenk. Nesta primeira etapa, três pessoas foram presas, entre elas o ex-diretor da Delta Construções Cláudio Abreu e o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. Este último foi encontrado nesta manhã em sua casa, no luxuoso condomínio Alphaville Cruzeiro do Sul, em Brasília. Os dois estão sendo trazidos para a sede da Polícia Federal, no Rio, nesta tarde. Além deles, são alvos da operação a própria Delta Construções, o empresário Fernando Cavendish e o lobista Adir Assad. "Baseado na delação premiada da Andrade Gutierrez, verificamos que havia muitas denúncias relacionadas a desvio, lavagem de dinheiro e obras superfaturadas. A partir das investigações, achamos necessário criar essa 'Lava Jato' específica para o Rio. Também investigamos o Sérgio Cabral", disse o Leandro Mitidieri, procurador da República no MPF.

As investigações ocorreram entre 2007 e 2012 e mostraram que 96% do faturamento da Delta, quase R$ 11.000.000.000,00, veio de verbas públicas, em sua maioria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Deste total, verificou-se que R$ 370.000.000,00 foram lavados para o pagamento ilícito a 18 empresas de fachadas, criadas pelos operadores do esquema. São eles: Carlinhos Cachoeira, Adir Assad e Marcelo Abud. A Polícia Federal acha que Marcelo Abud irá se entrega nas próximas horas, pois seu advogado entrou em contato com o delegado da Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros Delecor),Tácio Muzzi, nesta manhã. Os agentes aguardam um tipo de contato da defesa de Fernando Cavendish, que viajou para a Europa no último dia 22. Caso ele não faça contato, seu nome poderá ser incluído na lista de procurados da Interpol. "O que motivou a criação desta força tarefa foi que o volume de investigação relativo ao Rio é muito grande", afirmou Leandro Mitidieri, lembrando que a Operação Lava Jato do Paraná, comandada por Sérgio Moro, irá cooperar com a "Lava Jato" do Rio. Ainda segundo o procurador, a Delta é uma "organização criminosa extremamente sofisticada em lavagem de dinheiro", tendo "terceirizado" este tipo de crime, ao contratar duas organizações criminosas especializadas em lavar dinheiro, as empresas de Cachoeira e Assad.

Cerca 100 policiais cumpriram 20 mandados de busca e apreensão na quinta-feira. Somente no Rio, a Polícia Federal cumpriu 5 mandados de busca e apreensão e 5 mandados de prisão preventiva. Já em São Paulo e Goiás os agentes cumpriram apenas mandados de prisão. Na capital fluminense, foi apreendido um cofre no apartamento de Cavendish.

A Operação Saqueador
As investigações da PF duraram cerca de três anos e começaram a partir do envio de documentação pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito instaurada no ano de 2012 para investigar um grupo que atuava em Goiás. De acordo com a Polícia Federal, "foram verificados, até o momento, fortes indícios de transferências milionárias de recursos de referida empresa de engenharia para sociedades de fachada, possivelmente desviados de obras públicas. Para comprovação de tais desvios, está sendo realizada perícia contábil-financeira na sociedade investigada". Ainda segundo a Polícia Federal, a apuração levou ao indiciamento de 29 pessoas suspeitas de desvios de recursos federais destinados para diversas obras públicas. Com base no Inquérito Policial da PF, 23 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). "O material foi imprescindível para o início das investigações na medida em que tais informações nominaram as empresas de fachada que supostamente recebiam valores desviados da pessoa jurídica investigada no presente apuratório", aponta a Federal. O investigados poderão responder pelo crime de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, entre outros.

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