quarta-feira, 27 de julho de 2016

Novas casas da Vila Autódromo apresentam problemas elétricos

Moradores se recusaram a receber as chaves das residências 
na terça. Reajustes serão feitos até fim de semana.


O DIA

Rio - Moradores da comunidade da Vila Autódromo, vizinha ao Parque Olímpico, na Zona Oeste, se recusaram a receber, na terça-feira, as chaves das 20 novas casas construídas na região, que teve 96% de suas moradias demolidas por conta dos Jogos Rio 2016. As residências, assim como a nova rua criada com o projeto, ainda estavam com infraestrutura elétrica e obras de urbanização incompletas, o que levou os moradores a rejeitarem a vistoria oficial e, consequentemente, a habitação. Com apoio do Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Pública, ficou decidido que a prefeitura entregará as obras até o fim de semana, quando os moradores poderão, enfim, realizar a vistoria e ocupar as novas casas. As moradias foram construídas para abrigar as famílias que resistiram ao processo de remoção e não aceitaram as recompensas do município, como indenização ou casas do programa Minha Casa Minha Vida. Atualmente, elas vivem em contêineres.

De acordo com a página do Facebook responsável por expor a situação dos moradores da Vila, o secretário de Concessões e Parcerias Público-Privadas, Jorge Arraes, teria tentado obrigar as famílias a aceitarem as chaves mesmo com os problemas. Ao DIA, Arraes negou a acusação, e alegou que sugeriu apenas a realização da vistoria para constatar se a energia estava funcionando. "O que faltava era a ligação dos relógios de luz pela Light", comentou o secretário.

Quanto à urbanização, os moradores reclamaram que o acesso à igreja da comunidade ainda não estava pronto – e nem sequer com marcações no asfalto, de acordo com o coordenador do Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Pública do Rio, João Helvecio de Carvalho. A construção estava incluída no projeto, afirmou o coordenador.

Além dos problemas de eletricidade e urbanização, outras obras continuarão na Vila Autódromo, mesmo já habitada, até 19 de setembro, como adiantou o Informe do DIA na edição da terça-feira. Moradores ficaram preocupados com a falta de grades e muros na parte da frente das casas e levaram o caso à Defensoria Pública. O valor do projeto, antes estimado em R$ 2.975.013,47, passou para R$ 3.316.728,65.

Reportagem do estagiário Caio Sartori
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