segunda-feira, 4 de julho de 2016

Jornalista Nilo Braga lança livro em que relembra tipos históricos do Rio

Escritor cria personagens da cidade dos anos 30 e 40.


Bambas do antigo Estácio na ilustração de 
Mello Menezes publicada no livro de Nilo Braga.
RICARDO SCHOTT

Rio - A malandragem histórica dos anos 30 e 40, como cantou Chico Buarque em ‘Homenagem ao Malandro’, não existe mais. O jornalista e escritor Nilo Braga, 86 anos, concorda. “O malandro não é o que dá tiros ou trafica drogas. O malandro brigava na mão, sem usar armas, e quem era malandro de verdade resolvia tudo no papo, sem brigar. Isso acabou”, conta ele, que após 40 anos de redação estreia com o livro de crônicas ‘Malandro Beleza’ (Ed. Eldorado, 230 págs., R$ 48,00), prefaciado pelos escritores e compositores Nei Lopes e Aldir Blanc e pelo crítico musical João Máximo. Nilo introduz o livro com um capítulo sobre os antigos dancings e gafieiras da cidade, e divide os capítulos por regiões da Zona Norte e do Centro. Cada capítulo tem crônicas sobre personagens (verdadeiros ou de ficção) da Tijuca, Lapa, Estácio. O leitor é apresentado ao malandro judeu Zé Gringo, à trágica história de amor de Paulinho da Lalá e a Delmo da Mangueira. Para ilustrar os capítulos, o autor convocou Mello Menezes, autor de capas de discos de João Bosco, Monarco, e outros nomes do samba.

Nas histórias do livro, nem tudo são flores: alguns personagens das crônicas de Nilo depois de um certo momento se envolvem com narcotráfico, como numa subversão da visão mais romântica do malandro. “Depois do aparecimento da cocaína, a violência começou a aumentar. Lembro-me da época em que dava para ficar na Praça Saens Peña (Tijuca) até a madrugada. Quando eu era adolescente, sabia quem eram todos os batedores de carteira dos bondes. Imagina hoje?”, brinca Nilo. “Mas na época tinha o malandro violento, que era o cara que dava tiros, usava armas. Isso sempre existiu”. Entre as saudades que Nilo tem do Rio de antigamente, ele elege as gafieiras. “A Estudantina ainda existe, mas hoje toca forró, toca outros estilos de música”, lamenta. Também recorda saudoso a boa convivência entre as pessoas em décadas passadas. “Havia mais dignidade. As pessoas discordavam e no dia seguinte o clima ruim já tinha passado”.

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