quinta-feira, 7 de julho de 2016

'Hospitais do Rio não estão prontos para a Olimpíada', dizem médicos

Sindicato dos Médicos e Cremerj deram entrevista coletiva nesta quinta. Conclusão foi feita após vistoria em unidades de saúde públicas do Rio.


Cristina Boeckel
Do G1 Rio

Uma vistoria do Sindicato dos Médicos do estado do Rio de Janeiro e do Conselho Regional de Medicina do RJ nas unidades de saúde municipais, consideradas referência para o atendimento durante a Olimpíada, revela que os hospitais estão superlotados e não há condições para que atendam a demanda que pode ser gerada por um evento de grande porte. "Vimos CTIs com 100% de ocupação já agora, o que já é complicado", explicou Nelson Nahom, vice-presidente do Cremerj. 

Salgado Filho 
Os profissionais alertaram para as condições do Hospital Salgado Filho. De acordo com eles, a sala amarela, para o atendimento de pacientes em situação de nível médio de gravidade, é de superlotação. "Na sala amarela vimos maca encostada em maca. Tinha 17 pacientes encostados em macas no corredor do Salgado Filho", contou Nahom.

Lourenço Jorge
A situação do Hospital Lourenço Jorge também chamou a atenção. Para as duas entidades, além da sobrecarga, o local precisaria de um centro de tratamento neurológico para emergências, já que está localizado na área onde ocorrerão o maior número de competições e é o mais próximo do Parque Olímpico. "O Lourenço Jorge deveria ter um polo de neurocirurgia, que já deveria ter durante a Olimpíada. O paciente que chegar vai precisar ser levado ao Miguel Couto", contou o vice-presidente do Cremerj. O presidente do Sindmed, Jorge Darze, deu um exemplo do tamanho do problema e da importância de um polo de atendimento. "O técnico Ricardo Gomes teve um AVC hemorrágico e foi imediatamente atendido. Teve sequelas mínimas. Tudo o que acontece no cérebro e gera uma compressão que vai lesar áreas importantes. Quanto mais rápido o atendimento, melhor o prognóstico deste paciente", explicou Darze.

As duas entidades questionaram ainda o período de treinamento dos profissionais de saúde para atender a demanda do evento. Eles afirmam que os treinamentos começarão apenas no dia 31 de julho, quando o evento começará no dia 5 de agosto. "Vão ser reforçadas as equipes médicas com profissionais da própria rede, recebendo horas extras. Só que, em um caso de atendimento de múltiplas vítimas, precisamos de treinamento especial. De acordo com o diretor do Hospital Salgado Filho, o treinamento começa 31 de julho", comentou Nahom. O presidente do Sindicato dos Médicos acredita que alguma ocorrência com múltiplas vítimas, como um acidente de trânsito e uma briga de torcida, pode ter graves consequências para a saúde das vítimas pela falta de estrutura. "É uma situação que nos constrange enquanto profissionais de saúde do Rio de Janeiro. Nós vemos autoridades afirmando que está tudo bem, mas os profissionais que trabalham na saúde sabem que não é bem assim", disse Jorge Darze.

Os profissionais do Cremerj e do SinMed/RJ comentam que é difícil falar em legado para a população pela realização da Olimpíada. "A Copa não deixou legado nenhum. Temos a informação de que algumas máquinas do hospital de dentro da vila olímpica serão doados aos hospitais. Mas isso é muito pouco", concluiu Nelson Nahom. Os profissionais já vistoriaram os hospitais Souza Aguiar, Miguel Couto e Salgado Filho. Eles afirmam que quem não possui algum tipo de plano de saúde, seja brasileiro ou estrangeiro, não está livre de problemas nas unidades de referência na rede pública. "Mesmo os turistas estrangeiros que venham com seguro particular, em qualquer evento ou acidente que aconteça na rua, todos são levados primeiro para o hospital público", explicou Nelson Nahom.

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